Lula propõe fortalecer relações com o Sul Global em novo plano de governo
O documento aborda a preservação da soberania nacional e a ampliação da cooperação internacional.
O novo plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê uma ampliação das relações com países do Sul Global e o fortalecimento do BRICS e do Mercosul caso o petista seja reeleito nas eleições presidenciais deste ano. Entre os principais eixos do projeto, também inclui a defesa da soberania nacional.
A proposta é apresentada em um momento de tensão entre Brasil e Estados Unidos, que impuseram novas tarifas sobre produtos brasileiros e, em uma medida inédita, revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington. O PT afirma que o cenário internacional exige maior capacidade de decisão independente do Brasil.
Segundo o documento, o país deve preservar sua autonomia política e econômica diante do que o partido classifica como uma retomada do unilateralismo, do protecionismo e de conflitos em escala não vista desde a Segunda Guerra Mundial.
"O Brasil deve reafirmar sua soberania e preservar sua capacidade de tomar decisões políticas e econômicas de forma independente, em função de seus interesses, sem qualquer tipo de subordinação estratégica", aponta o texto.
PT propõe ampliar financiamento por meio do BRICS
Entre as propostas para a política externa está a expansão da Cooperação Sul-Sul e o fortalecimento dos mecanismos financeiros vinculados ao BRICS. O plano também defende mudanças na estrutura do sistema financeiro internacional para ampliar a participação dos países em desenvolvimento no Fundo Monetário Internacional (FMI), no Banco Mundial e em bancos multilaterais.
O programa prevê ainda o fortalecimento do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e de outros mecanismos financeiros do BRICS. A intenção é ampliar as alternativas de financiamento disponíveis aos países em desenvolvimento.
Na América do Sul, o PT propõe aprofundar a integração entre os países em áreas como infraestrutura, defesa, segurança pública, energia e saúde. O documento também prevê a expansão das conexões com o Pacífico e o Caribe.
Outra proposta é avançar na criação de um mercado comum sul-americano de energia, além de manter a defesa da América do Sul e do Caribe como uma "zona de paz".
O Mercosul também aparece entre as prioridades da política externa. O partido defende o aprofundamento da integração regional como parte da estratégia para ampliar a atuação brasileira no continente.
Reforma do Conselho de Segurança da ONU
No âmbito multilateral, o programa mantém a reforma das Nações Unidas como uma das prioridades. O PT defende mudanças no Conselho de Segurança para torná-lo "mais democrático e representativo", com maior presença de países em desenvolvimento entre os integrantes permanentes.
O plano também prevê que o Brasil participe da definição de regras internacionais para tecnologias digitais e inteligência artificial. Entre os princípios defendidos estão soberania digital, proteção de dados, cooperação científica, transferência de tecnologias estratégicas e regulamentação das plataformas digitais.