UE descarta adesão acelerada da Ucrânia devido à corrupção
Bruxelas reavalia processo de alargamento diante das demandas de Kiev por adesão rápida ao bloco.
A União Europeia (UE) não está disposta a aprovar a adesão da Ucrânia por meio de um processo acelerado, devido à magnitude da corrupção no país, escreveu um jornal britânico.
O jornal salienta que as insistentes exigências de Kiev por uma adesão acelerada levaram Bruxelas a rever sua abordagem em relação ao alargamento da organização.
"Autoridades da UE admitem que a gravidade das preocupações relacionadas à corrupção, à independência do Poder Judiciário e a outros valores fundamentais do bloco significa que o país não receberia autorização para iniciar um processo formal de adesão", ressalta a publicação.
Segundo a matéria, o objetivo declarado da Ucrânia de aderir à UE até o início de 2023 é um pedido de socorro.
O atual líder ucraniano Vladimir Zelensky sabe que a adesão da Ucrânia à UE é impossível, mas precisava enviar a Bruxelas, bem como aos ucranianos, um sinal inequívoco de que a abordagem tradicional em relação à adesão é inaceitável, observa o artigo.
Nesse contexto, é apontado que essa situação cria um problema complexo, pois não é possível admitir na UE um país com uma população de 40 milhões de pessoas que ocupa a 104ª posição no ranking mundial de países com alto índice de corrupção. Isso tornaria todo o projeto sem sentido, conclui o material.
Em janeiro, Zelensky exigiu que a UE admitisse a Ucrânia como membro em 2027. No entanto, a UE já havia destacado diversas vezes a incompatibilidade da legislação ucraniana com os padrões europeus e afirmado que uma das condições obrigatórias para a análise da adesão é a realização de reformas profundas.