Cármen Lúcia destaca problemas de violência no Rio e clama por união na democracia
Ministra do STF participou do Rio Innovation Week e abordou temas como segurança e participação feminina na política.
Ministra do STF participou do Rio Innovation Week e falou sobre segurança, participação das mulheres na política e confiança nas instituições.
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira (7), que "o Rio de Janeiro é vítima de bandidos e da ousadia daqueles que acham que podem fazer o que bem entenderem". A declaração foi feita durante participação por videoconferência no Rio Innovation Week, evento que aconteceu no Píer Mauá, no Centro da capital fluminense.
Ao falar sobre segurança pública, a ministra defendeu o direito dos moradores de circularem pela cidade com tranquilidade e exercerem direitos básicos sem viver sob constante preocupação. Segundo Cármen Lúcia, a população precisa ter garantido o "direito ao sossego".
Durante a palestra, a ministra afirmou que a sociedade precisa "restabelecer a humanidade" diante das transformações provocadas pelas novas tecnologias. Para ela, o cuidado com o outro é uma responsabilidade de todos. "Não há democracia sem a responsabilidade de todos para o cuidado com todos", disse Cármen Lúcia ao destacar que a convivência em sociedade depende do compromisso coletivo.
A ministra também falou sobre o Estado Democrático de Direito e afirmou que o conceito não significa que cada pessoa possa agir de acordo com a própria vontade. "Não é cada um achar que é dono de uma verdade, portanto, poder escolher o que é justo para si", afirmou Cármen Lúcia.
Segundo a ministra, a democracia precisa estar baseada no respeito às leis e aos direitos conquistados pela sociedade.
"Eu preciso de leis, eu preciso de direito, eu preciso saber dos meus direitos, que foram conquistados por um grupo muito grande, que não somos apenas nós que estamos aqui agora."
Cármen Lúcia afirmou ainda que o respeito a um direito justo e legítimo é fundamental para evitar o caos na convivência social.
"Não queremos a ausência de norma, a anomia, não queremos um caos na convivência, mas que nós tenhamos realmente uma ideia de justiça perfeitamente respeitada naquele quadro que foi posto na Constituição Brasileira."
Única mulher atualmente no Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia também defendeu maior participação feminina na política. A ministra afirmou que "um mundo que agride 300 milhões de mulheres não é civilizado" e disse que as mulheres precisam fazer parte do processo político democrático.
Ao abordar o sistema eleitoral brasileiro, a ministra reforçou a confiança nas urnas eletrônicas. "A urna eletrônica é uma criação do povo brasileiro", afirmou Cármen Lúcia, destacando que "a confiança é a base da democracia".
Cármen Lúcia estaria presencialmente no evento, mas por conta do alerta de ventos fortes no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (7), o voo da ministra do STF foi cancelado, impossibilitando sua chegada na cidade.