POLÍTICA

Senado dos EUA confirma Daniel Perez como embaixador sem autorização do Brasil

Com 51 votos favoráveis, indicado por Trump precisa de aval do Itamaraty amid crise diplomática.

Por Sputnik Brasil Publicado em 07/08/2026 às 15:51
Senado dos EUA aprova Daniel Perez como embaixador sem agrément do Brasil. © AP Photo / Mike Stewart

Indicado de Donald Trump foi confirmado por 51 votos a 47, mas ainda precisa do agrément do Itamaraty em meio à crise diplomática entre os países.

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador americano no Brasil. O nome do republicano foi confirmado por 51 votos favoráveis e 47 contrários, dentro de um pacote com outras 73 nomeações para cargos diplomáticos e para a administração do governo Donald Trump.

Com a aprovação, Perez conclui a etapa legislativa do processo nos Estados Unidos, mas ainda depende do agrément do governo brasileiro — a autorização diplomática necessária para que um embaixador estrangeiro assuma oficialmente o posto. O cargo está vago desde janeiro de 2025, quando Trump iniciou seu segundo mandato, e a embaixada americana em Brasília é atualmente chefiada por um encarregado de negócios.

A indicação de Perez se tornou o principal foco da atual crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O governo americano acusa Brasília de atrasar deliberadamente a concessão do agrément, enquanto o Itamaraty sustenta que o anúncio público da indicação antes da conclusão das consultas diplomáticas rompeu o protocolo tradicional e tornou o processo um elemento adicional de tensão.

O impasse se agravou nesta semana, quando o Departamento de Estado revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando que a medida era uma resposta à demora na autorização para a nomeação de Perez.

A decisão de Washington também levou em conta outros incidentes diplomáticos entre os países, como a recusa por parte do Itamaraty de conceder visto a dois diplomatas do Departamento de Estado dos EUA que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson. Os dois foram citados numa reportagem do jornal The Washington Post que sugeria serem integrantes de uma estratégia para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

O governo Lula classificou a decisão como uma escalada nas tensões bilaterais e afirmou que pretende deixar a análise de novos embaixadores estrangeiros para depois das eleições presidenciais de outubro, o que mantém indefinido o futuro do indicado de Trump.

Daniel Perez, deputado estadual da Flórida e filho de imigrantes cubanos, foi escolhido por Trump em junho. Durante sua sabatina no Senado, afirmou que os Estados Unidos enfrentam "desafios de segurança reais" no Brasil, citando a atuação de organizações criminosas transnacionais e a crescente influência de potências externas na região.