Ibovespa apresenta queda em dia de dados mistos dos EUA
Mercado avalia resultados corporativos e desempenho do emprego nos Estados Unidos.
Depois de subir 0,32%, alcançando a máxima em 176.116,84 pontos e abertura estável em 175.546,36 pontos, o Ibovespa seguiu para baixo na manhã desta sexta-feira, 7, renovando uma série de mínimas e perdendo cerca de 2.600 pontos. Os investidores estão avaliando diversos balanços de empresas brasileiras, com destaque para a Petrobras, além de dados de emprego dos Estados Unidos.
A economia dos EUA cortou 23 mil empregos em julho, em termos líquidos. As estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast variavam de criação de 63 mil a 130 mil postos de trabalho, com mediana de 80 mil. A taxa de desemprego norte-americana caiu para 4,1% em julho, ante 4,2% em junho, mesmo nível esperado por especialistas.
Conforme Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, o sinal de enfraquecimento do emprego nos EUA corrobora a leitura de outros indicadores divulgados nesta semana. "Embaralha um pouco a visão de alguns dirigentes do Fed, de expectativas de alta dos juros americanos. Claro, ainda há preocupação inflacionária. Por isso, será importante avaliar os próximos dados de inflação", diz.
Segundo Gustavo Cruz, CIO da Sintra Investimentos, o mercado externo parece satisfeito com o payroll mais fraco, o que pode interromper o plano de subir juros do Fed este ano, ou pelo menos em setembro. No Brasil, há maior atenção nos resultados corporativos.
A queda na taxa de desemprego tem gerado dúvidas. "Não faz sentido cair e ao mesmo tempo o mercado de trabalho ter fechado vagas. Payroll negativo, em tese, é desinflacionário, mas desemprego baixo é mais inflação, ainda mais sem um acordo entre EUA e Irã", afirma Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus.
Os rendimentos dos Treasuries cedem nesta manhã, influenciando os juros futuros no Brasil. Na contramão dos outros mercados (câmbio e juros), parece mais técnico do que fundamental. Há uma tendência de fluxo estrangeiro de saída em agosto, afirma Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria de Investimentos.
Segundo ele, o mercado brasileiro de ações parece ter funcionado como um "hedge" de tecnologia - quando o setor de tech vai mal, a alocação no Brasil melhora e vice-versa.
A ausência de um desfecho nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz continua atraindo atenções. Os contratos futuros de petróleo operam com volatilidade nesta manhã, após ganhos registrados na madrugada. O minério de ferro, por sua vez, subiu 0,35% hoje em Dalian, na China.
No fim do pregão da quinta-feira, o Ibovespa caiu 1,23%, fechando aos 175.546,36 pontos, perto da mínima de 175.514,86. Na máxima do dia, o principal índice da B3 atingiu 177.720,00 pontos.
Na mesma quinta-feira, a Petrobras informou uma alta anual de 120,3% em seu lucro líquido, acima do esperado por analistas. A estatal anunciou dividendos de R$ 1,34 por ação.
A companhia reportou um lucro líquido de US$ 10,428 bilhões no segundo trimestre de 2026, com a alta de 120,3% em um ano e 27% acima da média do Prévias Broadcast. O Ebitda ajustado somou US$ 18,615 bilhões, com crescimento de 101,4% na comparação anual e 6,9% acima das projeções. Já a receita de vendas subiu 59,8%, alcançando US$ 33,607 bilhões, 7,4% abaixo das estimativas. Contudo, as ações cediam entre 15% (PN) e 1,82% (ON) às 11h38. A Vale subia 0,24%, enquanto os bancos recuavam, exceto a Unit de Santander (+1,3%).
Às 11h39 desta sexta, o Ibovespa caía 1,25%, atingindo a mínima de 173.355,53 pontos, acumulando uma queda semanal de 2,56%. Na semana passada, o índice havia registrado um ganho de 2,27%, o segundo consecutivo.