POLÍTICA

Flávio Bolsonaro defende irmão e critica governo Lula por tarifas

Senador atribui medidas comerciais adversas à política externa do presidente do PT.

Por Sputnik Brasil Publicado em 06/08/2026 às 18:19
Flávio Bolsonaro defende Eduardo e critica tarifas do governo Lula em podcast. © AP Photo / Eraldo Peres

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, saiu em defesa do irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nesta quarta-feira (6) ao comentar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros nas últimas semanas.

Durante participação no Market Makers Podcast, o senador afirmou que o irmão nunca atuou para incentivar a adoção das tarifas e atribuiu a medida à condução da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Flávio, Eduardo mantém atuação nos Estados Unidos para denunciar supostos abusos cometidos contra a oposição brasileira e não participou das discussões sobre a adoção de barreiras comerciais contra o Brasil.

"Eduardo nunca pediu tarifação de nada. Ele está lá fora e continua denunciando os abusos que estão acontecendo aqui no Brasil. Algum dia a história ainda vai mostrar que ele merece ser reconhecido pela coragem que está tendo de abrir mão da sua vida aqui e de um mandato para defender a liberdade dos brasileiros", afirmou.

Na avaliação do senador, o governo Lula criou as condições para o agravamento da relação entre Brasília e Washington ao adotar posições críticas aos Estados Unidos e ao presidente Donald Trump.

"O Lula cavou esse pênalti com força. Cansou de xingar o Trump, de fazer ofensas aos Estados Unidos e de ameaçar substituir o dólar como moeda de referência no comércio internacional. Esse sentimento antiamericano prejudicou o Brasil, as empresas brasileiras e os produtos brasileiros", declarou.

Ao ampliar as críticas ao governo, o senador afirmou que as dificuldades comerciais do Brasil não se restringem à relação com os Estados Unidos. Segundo ele, o país perdeu espaço no mercado europeu por não cumprir exigências sanitárias para exportação de proteínas e também passou a enfrentar novas barreiras na China.

"Na sequência vem a China. Eu não sei se a gente já começou a entrar em vigor sobre a taxa de 55%, sobre a cota que exceder 1 milhão e 100 mil toneladas de carne que é exportada do Brasil para lá. Quando ultrapassou a cota, já aumenta mais 55% de impostos", disse.

O senador também afirmou que o governo deteriorou relações com outros países da região, incluindo o Paraguai, e atribuiu esse cenário à condução da política externa do presidente. Para Flávio, esses episódios refletem um cenário de isolamento do Brasil.

Lobista dos EUA

Na data em que a Casa Branca anunciou a tarifa de importação de 25% sobre diversos produtos brasileiros, Flávio já havia culpado Lula pela situação. Contudo, um dia antes de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sugerir o percentual como retaliação a práticas consideradas desleais às empresas norte-americanas, a exemplo do Pix, o senador havia se encontrado com Trump na Casa Branca e, na sequência, com Rubio.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), reagiu e lembrou os escândalos recentes envolvendo o candidato. "As declarações de Flávio Bolsonaro culpando o presidente Lula pelo tarifaço só revelam o seu desespero com o escândalo do Banco Master e suas ligações com Daniel Vorcaro e com Sicário [Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como capanga do banqueiro]", disse na ocasião.