Durigan atribui crescimento da dívida a juros elevados
Secretário do Ministério da Fazenda destaca que aumento não está relacionado com despesas do governo.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (6) que o avanço da dívida pública brasileira está relacionado ao elevado custo dos juros, e não ao aumento das despesas do governo.
Em entrevista à GloboNews, o ministro disse que a expansão do endividamento decorre, principalmente, da necessidade de refinanciar títulos públicos emitidos em anos anteriores.
Segundo Durigan, a rolagem da dívida faz com que o governo substitua papéis antigos por novos títulos, elevando o gasto com juros e, consequentemente, o estoque da dívida. Na avaliação do secretário, esse movimento não pode ser confundido com um aumento das despesas públicas.
"O governo não está gastando mais do que arrecada. O que acontece é que estamos pagando dívidas antigas com títulos novos. É, portanto, na gestão da dívida que estamos aumentando a dívida. É na rolagem da dívida, e não nos gastos", afirmou.
Durigan reconheceu que a política fiscal influencia o comportamento dos juros, mas afirmou que esse não é o único fator considerado pelo mercado. Para ele, as taxas elevadas continuam sendo o principal elemento por trás do crescimento da dívida pública.
Em junho, a Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassou R$ 9,2 trilhões, impulsionada pela maior emissão de títulos atrelados à Taxa Selic, os juros básicos da economia.
Apesar do aumento do endividamento, o secretário afirmou que o governo segue em busca de melhorar o resultado fiscal. Segundo ele, indicadores econômicos são favoráveis, com inflação sob controle e melhora na avaliação do Brasil por agências internacionais de classificação de risco.
Selic cai para 14% ao ano
A declaração do ministro ocorre um dia após o quarto corte consecutivo da Selic, que caiu 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Em nota oficial divulgada após a reunião liderada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o Comitê de Política Monetária (Copom) deixou claro que a medida busca equilibrar o controle do custo de vida com a manutenção do emprego e a suavização das oscilações da atividade econômica no país.
Entretanto, o tom de cautela e serenidade em relação aos próximos passos da política monetária foi acentuado. A decisão levou em consideração um quadro econômico complexo, no qual a economia brasileira dá sinais de desaceleração gradual, embora ainda se mostre bastante resistente, impulsionada por um mercado de trabalho aquecido.
Por Sputinik Brasil