CIÊNCIA

Telescópio no Chile captura supernova a 500 milhões de anos-luz

Astrônomos observam fenômeno raro que não seguiu os padrões usuais de explosões estelares.

Por Sputnik Brasil Publicado em 06/08/2026 às 12:37
Captura do telescópio mostra a galáxia onde ocorreu a supernova SN 2026gzf. © Foto / CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURA/D. de Martin & M. Zamani

Astrônomos registraram a morte de uma estrela massiva desde seu primeiro clarão de raios X, revelando uma supernova incomum que frustrou expectativas: não houve explosão de raios gama nem jatos relativísticos, fenômenos normalmente associados a supernovas energéticas do tipo Ic de linhas largas.

O evento começou em março de 2026, quando a sonda chinesa Einstein Probe detectou um breve e fraco sinal de raios X vindo de uma galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz. Observações posteriores identificaram a fonte como a supernova SN 2026gzf, classificada como uma tipo Ic de linhas largas, categoria ligada ao colapso de estrelas massivas que perderam hidrogênio e hélio.

Ao contrário do esperado, SN 2026gzf não produziu jatos estreitos viajando quase à velocidade da luz nem explosões de raios gama. O clarão inicial parece ter sido uma rara "ruptura de choque", momento em que a onda de choque atinge a superfície da estrela e libera sua primeira emissão de radiação — neste caso, a mais fraca já registrada para esse tipo de supernova.

Uma imagem ampliada da região do espaço que contém a galáxia onde está localizada a supernova SN 2026gz, capturada pela câmera do LSST no Observatório Vera C. Rubin
Uma imagem ampliada da região do espaço que contém a galáxia onde está localizada a supernova SN 2026gz, capturada pela câmera do LSST no Observatório Vera C. Rubin

Como rupturas de choque duram apenas segundos ou horas, são quase impossíveis de observar. Aqui, uma rede de telescópios terrestres e espaciais conseguiu acompanhar o fenômeno desde o início, permitindo estudar simultaneamente o clarão de raios X, a supernova subsequente e sua interação com material previamente expelido pela estrela.

Os dados indicam que a progenitora era uma estrela Wolf-Rayet com cerca de 20 massas solares, já despojada de hidrogênio e hélio e composta principalmente de carbono e oxigênio. Antes de explodir, ela passou por episódios turbulentos de perda de massa, criando múltiplas camadas de material ao seu redor.

Essas camadas forneceram aos astrônomos uma visão excepcional dos estágios finais da estrela, revelando um ambiente complexo que influenciou a aparência da explosão. A descoberta sugere que supernovas Ic de linhas largas podem surgir por caminhos variados, nem sempre acompanhados de jatos relativísticos ou explosões de raios gama.

Para os pesquisadores, eventos como SN 2026gzf ajudam a preencher a lacuna entre supernovas comuns e explosões extremas, ampliando o entendimento sobre como estrelas massivas vivem e morrem. A expectativa agora é observar mais rupturas de choque para determinar se estrelas despojadas seguem padrões semelhantes antes do colapso.