Ibovespa sofre recuo impactado por incertezas no cenário econômico
Investidores aguardam balanços, incluindo o da Petrobras, enquanto monitoram o cenário internacional.
As incertezas quanto aos próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom) e relatos de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode aumentar juros na reunião em setembro guiam o Ibovespa na manhã desta quinta-feira, 6. Somado a essas questões de política monetária, os investidores digerem balanços, como o do Bradesco, enquanto aguardam o resultado da Petrobras, após o mercado. A queda do principal indicador da B3 ocorre apesar das altas das commodities e do aumento da maioria dos índices das bolsas em Nova York.
Também prossegue no radar o conflito no Oriente Médio, enquanto os investidores continuam monitorando sinais de negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz. O The Wall Street Journal informa que Irã e Omã estão finalizando um rascunho de acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. A despeito disso, uma commodity do tipo Brent volta a subir para a faixa dos US$ 80 por barril, elevando preocupações inflacionárias e com juros altos no mundo, principalmente nos EUA.
“Entendo que o mercado está reagindo muito mais ao que está acontecendo lá fora e os balanços do que propriamente a decisão de política monetária”, diz Luan Aral, trader e especialista em dólar da Genial Investimentos.
Citando fontes, o Financial Times diz que o presidente do Fed, Kevin Warsh, estaria disposto a aumentar os juros na reunião de setembro caso os dados de inflação vierem acima do esperado. Os rendimentos dos Tesouros avançaram, influenciando os juros futuros brasileiros.
Aqui, as taxas ainda digerem o Copom. Ontem, o colegiado do Banco Central prejudicará a Selic de 14,25% para 14% ao ano, como esperado, e indicou que manterá a porta aberta para as próximas decisões, dependendo da evolução dos indicadores econômicos.
Segundo Fabiano Guerra, CEO da Alumni Investimentos, a Selic segue em nível ainda elevado e a inflação continua pressionada. Isso, diz, mantém o custo do dinheiro alto e o ambiente seletivo. “Para as empresas individualizadas e com pouca liquidez, o desafio continua sendo rolar passivos, reorganizar a caixa e preservar valor”, afirma.
Às 10h50, o Ibovespa cedia 0,51%, aos 176.811,16 pontos, ante mínima em 176.570,35 pontos (-0,65%). Abriu na máxima aos 177.720 pontos. Conforme Aral, da Genial, a queda é moderada, não é alarmante.
Sem divulgação de indicadores relevantes aqui e no exterior, o foco são balanços de empresas brasileiras, com destaque ao resultado do Bradesco. O banco teve alta anual de 16,2% no lucro recorrente no segundo trimestre, dentro do esperado.
O ROAE, principal indicador de rentabilidade do Bradesco, subiu para 16,2%, ante 14,6% registrado ao final de junho de 2025. Apesar disso, houve pressão relevante de provisões e piora da inadimplência. As ações do banco caíram 1,90% (ON) e 2,16% (PN) perto das 11 horas. Só Itaú (+0,38%) e Unit de Santander (+1,02%) subiam.
Após o fechamento da B3, a Petrobras divulgará seu balanço. Conforme o Prévias Broadcast, o lucro da estatal deve ultrapassar os US$ 8 bilhões, quase o dobro das receitas há um ano (US$ 4,7 bilhões) e também acima do registrado no primeiro período de 2026 (US$ 6,2 bilhões), quando foi considerada a petroleira mais lucrativa do mundo. As ações tinham altas de 0,36% (PN) e 0,21% (ON).
Ontem, o Ibovespa fechou em queda de 0,09%, aos 177.726,17 pontos. O petróleo Brent subia 1,75%, a US$ 80,84 o barril, e a mineração negociada em alta de 2,57%, em Dalian.