Dólar registra queda após decisão do Copom e alta do petróleo
Real tem desempenho superior ao de outras moedas, mesmo com leve valorização do dólar no exterior.
O dólar abriu em queda e mantém esta vitória nesta quinta-feira, 6, em um pregão marcado pela repercussão da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que impediu a Selic para 14% ao ano, e pela continuidade do foco no cenário internacional. Apesar da leve valorização da moeda norte-americana no exterior, o real apresenta desempenho superior ao de seus pares, apoiado pela alta dos preços do petróleo.
O índice DXY avançou discretamente, enquanto os rendimentos dos Treasuries de curto prazo também subiam, em meio à manutenção das apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) poderá aumentar os juros ainda neste ano. Reportagem do Financial Times informou que o presidente da instituição, Kevin Warsh, estaria disposto a aumentar a taxa na reunião de setembro caso os próximos indicadores de inflação surpreendam para cima.
Nos Estados Unidos, os pedidos semanais de auxílio-desemprego vieram abaixo do esperado, enquanto o custo unitário da mão de obra desacelerou mais do que o previsto no segundo trimestre. Os indicadores, porém, tiveram impacto limitado sobre os ativos, com os investidores mantendo o foco no relatório oficial de emprego (folha de pagamento), que será divulgado nesta sexta-feira.
No mercado de commodities, os contratos futuros do petróleo ampliaram os ganhos. O Brent avançou mais de 2%, acima de US$ 81 por barril, após novas ameaças do Iêmen contra a Arábia Saudita aumentam as preocupações com o tráfego de navios no Mar Vermelho.
No Brasil, investidores seguem interpretando o comunicado do Copom. Embora o corte de 0,25 ponto percentual tenha sido amplamente esperado, o Banco Central evitou sinalizar os próximos passos da política monetária.
Ontem, o dólar à vista se encerrou praticamente estável, em queda de 0,05%, cotado para R$ 5,1282, após oscilar entre R$ 5,0989 e R$ 5,1342.
Mesmo em um ambiente de enfraquecimento global da moeda americana, os operadores atribuíram a limitação dos ganhos do real à cautela com o cenário doméstico, especialmente em relação ao Copom e às perspectivas fiscais e eleitorais.
Às 10h31 desta quinta, o dólar à vista caiu 0,53%, para R$ 5,1010, após renovar o mínimo intradiário para R$ 5,0970. O contrato futuro para setembro recuava 0,36%, para R$ 5.132, após atingir o mínimo do dia para R$ 5.126.