SEGURANÇA PÚBLICA

PF apresenta relatório da investigação sobre acidente da Voepass

Inquérito foca em responsabilidades criminais após tragédia que matou 62 pessoas em agosto de 2024.

Por Estadao Conteudo Publicado em 06/08/2026 às 08:56
Voepass

A Polícia Federal (PF) apresenta nesta quinta-feira, 6, o relatório final do inquérito criminal sobre a queda do avião da Voepass. O acidente ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior paulista, causou a morte de 62 pessoas.

Diferentemente do relatório final divulgado em 23 de julho pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB), a investigação da Polícia Federal tem como foco a atribuição de responsabilidades criminais e indiciamentos individuais.

Caixa Preta Revela Fluxos Recorrentes

Diálogos registrados na caixa-preta do avião da Voepass mostram que a aeronave apresentava falhas recorrentes não sinalizadas pelas tripulações.

A transcrição dos áudios consta no laudo da Polícia Federal (PF) sobre a queda da denúncia, revelada pelo Fantástico, da TV Globo, na quarta-feira, 5, e confirmada pelo Estadão.

Segundo a PF, a causa do acidente foi a perda de controle em voo causada pelo acúmulo de gelo na aeronave, pela inoperância do sistema pneumático de gelo do avião e pela não execução tempestiva e adequada de procedimentos necessários para falha no sistema de gelo, manipulação de desempenho, condições severas de gelo e estol (perda de sustentação).

O relatório revelou que os pilotos sabiam de uma falha no sistema de desenvolvimento. Durante o voo imediatamente anterior, entre Guarulhos e Cascavel, o alerta AIRFRAME FAULT (sinal para falhas no sistema de degelo) foi acionado oito vezes e a tripulação realizou resets do dispositivo ao menos cinco vezes.

Relatório do Cenipa

A FAB divulgou em 23 de julho o relatório final das causas da queda do avião da Voepass. Na ocasião, o acidente foi causado por um conjunto de falhas da empresa, da aeronave, dos pilotos e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Em nota, a Anac afirmou que vai fazer a análise do relatório e disse que o trabalho do Cenipa não envolve atribuição de culpa. Já a Voepass alegou que, ao longo de três décadas, “sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação”.

A investigação identificou 19 fatores que influenciaram a queda do avião, sendo 15 que desenvolveram diretamente para o acidente. Os demais foram classificados como de contribuição indeterminada.