ECONOMIA

BIS avalia necessidade de elevação rápida de juros devido a choques de energia

Banco de Compensações Internacionais alerta sobre riscos inflacionários e impacto na economia global.

Por Estadao Conteudo Publicado em 05/08/2026 às 21:51
Reprodução / Agência Brasil

O Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) avalia que os riscos dos efeitos em cadeia do choque de energia podem justificar elevações de juros mais rápidas.

Embora uma estratégia de "esperar para ver" permita a um banco central ganhar clareza à medida que a situação evolui, possibilitando uma resposta mais bem informada, riscos como o de desancoragem das expectativas de inflação podem justificar elevações de juros mais rápidas, alerta o BIS em boletim divulgado nesta quarta-feira.

Conhecido como o "banco central dos bancos centrais", o BIS pontua que os choques de oferta de petróleo induzidos pelo conflito no Irã atuaram como um choque global sobre a economia mundial, mas o impacto resultante sobre a inflação e o produto dependerá de fatores estruturais específicos e das condições iniciais de cada país, levando, portanto, a respostas de política monetária diferentes.

Para os bancos centrais de economias em que o choque desencadeia tanto pressões inflacionárias significativas quanto uma forte contração da atividade econômica, administrar o impacto do choque torna-se particularmente desafiador.

Em contraste, os bancos centrais de economias em que a atividade real permanece relativamente resiliente enfrentam um cenário mais favorável, pois uma resposta rápida de política monetária para conter as pressões inflacionárias envolve um trade-off menos custoso.

Em termos gerais, a resposta adequada de política monetária a picos nos preços de energia depende da natureza do choque - se decorre da demanda ou da oferta -, bem como de sua magnitude e persistência, ambas influenciadas por fatores estruturais e pelas condições iniciais.

A incerteza em torno da intensidade e da duração do choque complica ainda mais o desafio de política.

O BIS lembra que para as economias exportadoras de energia, preços mais elevados tendem a impulsionar a renda nacional por meio da melhora nos termos de troca, ao passo que

a valorização cambial, típica nesse caso, ameniza as pressões inflacionárias.

Em contrapartida, alterações nos termos de troca e a desvalorização cambial agravam o impacto do choque sobre os importadores de commodities.