Dois países da Europa devem investir no fundo de florestas tropicais, afirma Lyrio
Embaixador destaca aportes que visam a preservação das florestas tropicais durante evento da São Paulo Climate Week.
O embaixador Mauricio Lyrio, secretário de clima, energia e meio ambiente do ministério das Relações Exteriores, afirmou nesta quarta-feira, 5, que dois países europeus devem realizar aportes no fundo de florestas tropicais (TFFF, na sigla em inglês), criado para recompensar países que preservam florestas tropicais.
"Não posso adiantar, mas provavelmente teremos nos próximos meses bons anúncios de dois países europeus", disse o embaixador ao comentar sobre novos aportes durante um encontro promovido pela Amcham Brasil, por ocasião da São Paulo Climate Week. Ele participou do evento remotamente.
Ao discutir as prioridades brasileiras na conferência sobre mudanças climáticas deste ano, a COP31, que será realizada em novembro na Turquia, Lyrio destacou que o governo espera novos avanços do fundo, que, segundo ele, pode servir como referência para outras iniciativas de casamento entre capital público e privado, o chamado blended finance, no financiamento da sustentabilidade.
"Não é uma doação. Na verdade, é um investimento efetivo em uma causa extraordinária, que é a redução do desmatamento no mundo", pontuou o embaixador.
O Brasil lançou o TFFF com um aporte inicial de US$ 1 bilhão. Durante a COP30, realizada em novembro em Belém, no Pará, outros US$ 5,7 bilhões foram prometidos em aportes da Noruega (US$ 3 bilhões ao longo de dez anos), Indonésia (US$ 1 bilhão), Alemanha (1 bilhão de euros em uma década) e França (500 milhões de euros).
Segundo Lyrio, mesmo que a responsabilidade de financiamento recaia normalmente sobre as grandes economias industrializadas, que são as maiores emissoras, a intenção é também atrair a contribuição de países em desenvolvimento para o fundo.
Em relação às prioridades do governo na COP deste ano, o Brasil irá defender a posição dos biocombustíveis como alternativa crucial para a transição energética. Nesse contexto, Lyrio mencionou que o compromisso assumido pelos países em Belém de quadruplicar o uso global de combustíveis sustentáveis, incluindo os biocombustíveis, é uma "prioridade absoluta".