POLÍTICA

Diplomatas afirmam que relação Brasil-EUA está 'trincada' após revogação de visto

Decisão dos EUA sobre visto da embaixadora provoca reações e reflete tensões entre os países.

Por Sputnik Brasil Publicado em 04/08/2026 às 23:18
Diplomatas discutem tensões nas relações Brasil-EUA após revogação de visto da embaixadora. © AP Photo / Jacquelyn Martin

A revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiz Ribeiro Viotti, foi vista por diplomatas como uma "chantagem" de Washington e que escancara a relação "trincada" que Casa Branca e Planalto vivem.

Conforme apuração do portal G1, múltiplos diplomatas avaliaram como "chantagem" a revogação do visto de Ribeiro Viotti, uma vez que os Estados Unidos condicionaram a normalização da permanência da embaixadora ao aval diplomático do Itamaraty ao novo embaixador norte-americano, Daniel Perez.

O indicado do governo dos Estados Unidos teve aprovação em uma comissão do Senado e agora aguarda a chancela no plenário da Casa. No entanto, Washington não fez uma consulta prévia a Brasília sobre o nome, o que é comum nesse tipo de caso.

A Casa Branca não conta com um embaixador no Brasil desde a posse de Donald Trump, no início de 2025, quando a diplomata Elizabeth Bagley foi chamada de volta ao país. Desde então, a função tem sido executada pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar.

O jornalista João Paulo Charleaux, colunista do UOL, afirmou que um embaixador brasileiro com quem conversou e pediu para não ser identificado, declarou que as relações entre Brasil e Estados Unidos estão "trincadas".

"Há uma escalada em curso, na qual um episódio negativo vai engrenando outro. [...] Tudo está muito contaminado agora por um processo eleitoral no qual o apelo ao nacionalismo brasileiro entrou na agenda da campanha."

A decisão de revogação do visto de Ribeiro Viotti também levou em conta outros incidentes diplomáticos entre os países, como a recusa por parte do Itamaraty de conceder visto a dois diplomatas do Departamento de Estado dos EUA que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.

O governo americano negou que a missão tivesse o objetivo de interferir nas eleições e afirmou que a viagem trataria de temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão, com autoridades e representantes da sociedade civil.