POLÍTICA

Governo critica revogação de visto da embaixadora e aponta tentativa de interferência eleitoral dos EUA

A gestão de Lula afirma que medidas hostis se intensificam e defende diálogo nas relações diplomáticas.

Por Estadao Conteudo Publicado em 04/08/2026 às 21:28
Reprodução / Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudia a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, e classifica a decisão como parte de uma "escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil". O Planalto aumentou o tom e afirmou, institucionalmente, que Washington busca interferir na eleição presidencial de outubro.

"A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo. Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente", disse a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) em nota divulgada na noite desta terça-feira, 4.

De acordo com a nota da Secom, os dois argumentos apresentados pelo Departamento de Estado dos EUA são falsos. O governo brasileiro alegou que os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome do candidato à embaixada americana em Brasília, Daniel Perez, antes de um pedido formal feito ao Brasil.

Além disso, o governo ressaltou que permanece fiel às normas do direito internacional e que não existe uma regra estipulando o prazo para a concessão do agrément - aceitação oficial de um país para receber um embaixador estrangeiro - e que o nome de Perez ainda está em análise.

Os Estados Unidos alegam que o governo Lula está deliberadamente criando obstáculos para impedir que Daniel Perez exerça a função diplomática no Brasil. Essa situação teria contribuído para a revogação do visto de Viotti.

Ainda segundo o Planalto, o governo brasileiro revogou os vistos de Riley Barnes e Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado, pois eles teriam como função "colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro".

"Os dois funcionários do governo norte-americano que tiveram seus vistos de entrada no Brasil negados planejavam visitar o País para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em uma tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional", afirmou a Secom.

A nota também destaca que autoridades brasileiras ainda estão com vistos negados pelos EUA, baseados na alegação de perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"O governo brasileiro não poupou esforços para resolver essas diferenças. O próprio presidente Lula, em sua visita a Washington em maio último, entre outros assuntos, solicitou ao presidente Trump o levantamento das sanções individuais", informou a nota.

Por fim, o governo brasileiro se opõe à lógica de confrontação exercida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo o diálogo e a negociação como fundamentos da sua diplomacia.