Ministro Múcio admite limitação do Brasil em caso de invasão dos EUA
Múcio ressaltou a necessidade de aumentar investimentos nas Forças Armadas em evento da CNI.
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta terça-feira (4) que o Brasil não teria condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos em um eventual conflito e disse que, nesse cenário, sua opção seria "abrir o portão".
A declaração foi feita durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), quando voltou a defender o aumento dos investimentos nas Forças Armadas. Ao responder a uma pergunta hipotética sobre uma eventual invasão norte-americana, Múcio atribuiu a posição à limitação de recursos destinados ao setor.
"Eu vejo os jornalistas o tempo todo [perguntando]: 'se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que é que o senhor faz como ministro da Defesa?' Abro o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão", disse.
Segundo o ministro, ampliar os investimentos em Defesa não significa adotar uma postura beligerante, mas garantir capacidade de proteção do território nacional. Para ilustrar o argumento, comparou o orçamento militar à contratação de um plano de saúde. "A gente escolhe o melhor, torcendo para não usar", disse.
As declarações ocorrem em meio às discussões sobre o orçamento destinado às Forças Armadas. No último domingo (2), durante a convenção nacional do PT que oficializou sua candidatura à reeleição, Lula pediu que setores da esquerda deixem de resistir ao fortalecimento do orçamento da Defesa.
Segundo o presidente, a dimensão territorial do país e a necessidade de proteger fronteiras, a Amazônia e recursos naturais justificam maiores investimentos no setor.
"Esse país tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, 8 mil quilômetros de fronteira marítima. Esse país tem a maior floresta tropical do planeta. Esse país tem 12% da água doce do mundo. Nós precisamos investir na defesa", justificou Lula.
Na ocasião, Lula ainda afirmou que pretende ampliar os investimentos no setor e citou o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos como exemplo do tipo de cenário que o Brasil precisa se preparar para evitar. "Eu quero estar preparado para que ninguém invada este país."