ECONOMIA

Ibovespa tem leve queda amid cautela política e balanços

Investidores seguem atentos às incertezas políticas e à divulgação de resultados de empresas.

Por Estadao Conteudo Publicado em 04/08/2026 às 17:54
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Descolando-se da alta firme de Nova York, o Ibovespa renovou mínima no período da tarde desta terça-feira e passou a cair levemente, com investidores redobrando a cautela em quatro frentes domésticas: eleições, diplomacia com os Estados Unidos, balanços e incerteza sobre a política monetária após a quarta-feira. Soma-se a isso a queda da Petrobras, que tem grande peso no índice, com o petróleo abaixo de US$ 80 por barril diante da expectativa de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.

Há preocupações políticas quanto à falta de um vice para o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, e diante da possibilidade de que os Estados Unidos adotem novas sanções diplomáticas contra o Brasil.

Os bancos acentuaram a queda após reportagem da Exame apontar que o governo Luiz Inácio Lula da Silva aguarda que os EUA revoguem vistos a autoridades brasileiras e até voltem a sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Lei Magnitsky. Itaú PN (-2,48%) liderou as perdas do setor, com receio também pelo balanço do segundo trimestre, que será divulgado após o fechamento. "A temporada de resultados ainda não animou por completo", comenta o especialista em investimentos Felipe Sant'Anna, do Grupo Axia Investing.

No âmbito da Selic, ainda que a produção industrial de junho tenha vindo abaixo do esperado (queda de 1,8%, ante mediana de 0,6%) e possa abrir espaço para mais cortes, a ampla maioria do mercado projeta pausa no ciclo de flexibilização após a reunião a quarta - quando os juros básicos devem ser reduzidos em 0,25 ponto porcentual, a 14%, mostra pesquisa Projeções Broadcast da última quinta-feira.

"O mercado continua acompanhando um cenário misto. De um lado, a queda da produção industrial em junho reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica, que pode abrir espaço para um ciclo de redução dos juros à frente, e os sinais de avanço nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz ajudam a reduzir parte da aversão a risco internacional. Por outro lado, os investidores permanecem atentos às questões políticas e diplomáticas", resume o especialista Pedro Henrique Cardoso, da Valor Investimentos.

Sant'Anna, do Axia, nota que "matematicamente, olhando o IPCA de junho, o IPCA-15 de julho e a produção industrial de junho, há espaço para a Selic continuar caindo, mas, ao considerar a eleição e o cenário adverso lá fora - com EUA, Europa e Japão focando em alta de juros -, a realidade é que o ambiente não é tão favorável para mais cortes na Selic". Do ponto de vista político, o início das sabatinas eleitorais indica que o pleito deve se refletir cada vez mais nos preços na Bolsa, acrescenta.

Para Cardoso, a desidratação do Ibovespa hoje ocorreu porque o mercado prefere aguardar novos desdobramentos tanto na política doméstica quanto nas relações entre EUA e Brasil.

Distanciando-se da máxima dos 180.679,47 pontos (+1,51%) atingida pela manhã, o Ibovespa fechou em baixa de 0,06%, aos 177.894,97 pontos, após mínima aos 177.580,77 pontos (-0,24%). No setor financeiro, apenas a Unit do Santander Brasil subiu 0,59%. Petrobras recuou cerca de 1%, pressionada pela queda acima de 5% do petróleo. Já a alta de 2,24% da Vale, recuperando-se da baixa da véspera, serviu como contraponto junto com as Bolsas de Nova York, que chegaram a subir até 2,59% (Nasdaq).