Militar da reserva da PM é condenado como mandante de homicídio motivado por disputa de imóvel
Ele é apontado como mandante do crime ocorrido em 2019; decisão acolheu integralmente a tese do Ministério Público e reconheceu as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima
O Tribunal do Júri de Maceió condenou, nesta segunda-feira (3), três homens acusados de participar do assassinato de Luciano de Albuquerque Cavalcante, morto a tiros em outubro de 2019, na capital alagoana. Entre os condenados está o tenente da reserva remunerada da Polícia Militar de Alagoas (PMAL), José Gilberto Cavalcante de Góes, apontado pelas investigações como o mentor do homicídio.
As penas impostas aos réus somam 59 anos, três meses e 12 dias de prisão, todas em regime inicial fechado. A sentença foi proferida pelo juiz Eduardo Nobre após o Conselho de Sentença acolher integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL).
Durante o julgamento, os jurados reconheceram que o crime foi cometido por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, circunstâncias que agravaram as penas aplicadas.
José Gilberto Cavalcante de Góes recebeu condenação de 23 anos e um dia de reclusão. A mesma pena foi aplicada a Wagner Luiz das Neves Silva, também considerado responsável pela execução do homicídio. Já Gilson Cavalcante Góes Júnior, sobrinho do militar da reserva, foi condenado a 13 anos, três meses e 10 dias de prisão, após o júri reconhecer sua participação de menor relevância na ação criminosa.
Conforme os autos do processo, Luciano de Albuquerque Cavalcante foi monitorado antes do crime e seguido até uma oficina mecânica, onde foi surpreendido por disparos de arma de fogo no momento em que entrava em sua caminhonete. A investigação reuniu provas técnicas, entre elas imagens de câmeras de segurança, exames periciais com confronto genético em um boné abandonado na cena do crime e registros de monitoramento do veículo utilizado na fuga dos autores.
Segundo o Ministério Público, o assassinato teve origem em uma disputa imobiliária envolvendo um terreno avaliado em aproximadamente R$ 1 milhão, localizado no bairro Forene, em Rio Largo. A acusação sustentou que a vítima se recusou a pagar valores exigidos por José Gilberto para regularizar o imóvel, o que teria motivado o planejamento do crime como forma de vingança.
Na sentença, o magistrado também destacou as consequências do homicídio para a família de Luciano de Albuquerque Cavalcante. A vítima deixou 12 filhos, quatro deles menores de idade, e sua morte provocou o encerramento da empresa que mantinha, agravando a situação financeira dos dependentes.