POLÍTICA

Conselho da Paz pede a Netanyahu cumprimento do cessar-fogo em Gaza

Reunião com representantes da iniciativa ocorreu em Jerusalém, após novos ataques israelenses na região.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/08/2026 às 19:22
Representantes do Conselho da Paz pressionam Netanyahu por cessar-fogo em Gaza. © AP Photo / Jehad Alshrafi

Representantes do Conselho da Paz, iniciativa liderada pelos Estados Unidos para implementar o plano de paz para a Faixa de Gaza, solicitaram ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que suspenda os ataques ao enclave. A informação foi revelada nesta segunda-feira (3) pelo portal Axios, que citou uma fonte familiarizada com o encontro.

Segundo a publicação, o alto representante do conselho para Gaza, Nickolay Mladenov, e o assessor sênior Aryeh Lightstone se reuniram com Netanyahu em Jerusalém para cobrar que Israel cumpra os compromissos assumidos no âmbito do plano de paz.

Só nas últimas 24 horas, o Ministério da Saúde de Gaza informou que 18 palestinos morreram e outros 35 ficaram feridos em ataques israelenses, apesar do acordo de cessar-fogo com o Hamas.

Posteriormente, o Conselho da Paz confirmou a reunião e classificou o encontro como "construtivo e detalhado", acrescentando que Israel compartilha o entendimento da organização sobre os objetivos finais do acordo.

"Foi um longo dia em Jerusalém, reunido com o primeiro-ministro Netanyahu e sua equipe. Este é o começo da fase mais difícil, e nunca escondi isso. Pouco do que faremos agora será dramático. Será um trabalho lento, árduo e técnico", disse na sequência Mladenov.

Na última semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que havia sido alcançado um acordo para o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados na Faixa de Gaza.

O gabinete de Netanyahu, por sua vez, declarou que Israel não retiraria suas tropas da chamada Linha Amarela enquanto o Hamas não fosse desarmado e Gaza não fosse totalmente desmilitarizada.

ONU alerta que Gaza está à beira da fome

Em meio às divergências sobre o plano de paz, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) alertou que a Faixa de Gaza está "à beira da fome". Segundo o órgão, cerca de 1,4 milhão de pessoas, o equivalente a 67% da população do enclave palestino, enfrentam insegurança alimentar.

O relatório também aponta que a maior parte dos moradores tem acesso a menos de 6 litros de água por dia, quantidade muito inferior ao mínimo necessário para consumo, preparo de alimentos e higiene básica. De acordo com o OCHA, a escassez é consequência de tubulações danificadas, poços destruídos e contaminação das fontes de abastecimento.

Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla em inglês) estima que cerca de 90% da infraestrutura de água e saneamento da Faixa de Gaza foi danificada ou destruída pelos ataques israelenses.