CLIMA

Boletim revela potencial intensificação do El Niño e riscos para o Brasil

Fenômeno deve alcançar intensidade 'muito forte', aumentando eventos extremos em várias regiões.

Por Estadao Conteudo Publicado em 03/08/2026 às 16:14
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A interferência do El Niño deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2026 e alcançar intensidade "muito forte" entre a primavera e o início do verão, aumentando a probabilidade de ocorrência de eventos extremos no Brasil, principalmente nas regiões Sul e Norte. A análise está no Boletim nº2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) .

O El Niño é uma previsão climática natural que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes - o que altera a circulação atmosférica na escalada global, impactando o regime de ventos, chuvas e temperaturas.

Segundo o boletim, a probabilidade de o El Niño se manter ativo pelo menos até o início de 2027 é de 100% . A possibilidade de alcançar a categoria "muito forte", quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico supera 2ºC , é elevado.

Historicamente, no Brasil, a região Sul é a que mais sente os efeitos do El Niño . A previsão indica maior frequência de chuvas acima da média, temporais, cheias de rios, enchentes, alagamentos e penetração de terra.

As chuvas registradas no Rio Grande do Sul durante o mês de julho, que provocaram enchentes em diferentes municípios, já representam os primeiros impactos do impacto. Segundo o boletim, “a situação exige atenção especial” porque a região não apresenta déficit hídrico. Isso significa que o solo já tem bastante água, favorecendo a rapidez no transbordamento dos rios diante de episódios de chuvas intensas.

Na região Norte do País, especialmente na Amazônia , o cenário é de redução das chuvas, temperaturas acima da média e atraso do início da estação chuvosa.

O boletim destaca que esse padrão favorece a persistência da estiagem, reduz a disponibilidade hídrica, aumenta o ressecamento da vegetação e amplia significativamente o risco de incêndios florestais.

Outro efeito esperado é a redução gradual dos níveis dos rios. Embora boa parte das bacias ainda apresente condições próximas da normalidade, os indicadores mostram avanço da estiagem em diferentes sub-bacias da Amazônia.

Segundo os órgãos responsáveis pelo monitoramento, caso não haja reposição significativa das chuvas nas próximas semanas, a resposta hidrológica tende a se intensificar, afetando a navegação, o abastecimento de água e atividades econômicas dependentes dos rios.