POLÍTICA

Encontro raro entre Aung San Suu Kyi e Cruz Vermelha é confirmado

A ex-líder de Mianmar teve um contato limitado com o mundo externo durante sua detenção.

Por Estadao Conteudo Publicado em 03/08/2026 às 10:25
Aung San Suu Kyi, ex-presidente de Mianmar Reprodução / internet

A ex-líder de Mianmar Aung San Suu Kyi, que está detida, se reuniu nesta segunda-feira, 3, com o representante do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em Naipidau, informou o governo de Mianmar apoiado pelos militares.

O encontro representa um raro contato com o mundo exterior para a vencedora do Prêmio Nobel da Paz, que não é vista em público desde que os militares tomaram o poder em 2021.

Duas fotografias divulgadas junto com o anúncio mostram Suu Kyi apertando as mãos de Arnaud de Baecque, representante do CICV em Mianmar, e conversando com ele em uma sala com paredes revestidas de madeira.

O Escritório Presidencial de Imprensa e Informação, responsável pela divulgação das imagens, afirmou que o encontro ocorreu na manhã desta segunda-feira, mas não informou o local da reunião nem revelou detalhes sobre o que foi discutido.

O CICV confirmou, em comunicado divulgado nesta segunda-feira, que um de seus delegados visitou Suu Kyi seguindo os padrões e procedimentos da organização para visitas a pessoas privadas de liberdade. O representante conversou com ela em particular, mas a entidade não divulgou detalhes do encontro. O CICV afirmou ainda que continua dialogando com todas as partes envolvidas para manter e ampliar o acesso aos locais de detenção em Mianmar.

Outras duas fotografias mostram Suu Kyi cortando um bolo de aniversário rosa com a inscrição "Feliz aniversário, tia Suu", sugerindo que as imagens podem ter sido feitas durante a comemoração de seus 81 anos, em junho.

Nas fotos, Suu Kyi aparece relaxada e sorrindo. Ela não apresenta sinais aparentes de problemas de saúde, embora sua condição física não possa ser avaliada de forma independente apenas pelas imagens.

A divulgação das imagens ocorreu em meio ao aumento dos apelos de outros países, incluindo integrantes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), por acesso a Suu Kyi ou por um diálogo com ela como parte dos esforços para solucionar a crise política do país.

Kim Aris, filho mais novo de Suu Kyi, que vive em Londres, e ativistas pró-democracia de Mianmar vêm realizando uma campanha online para exigir provas de que ela está viva e passa bem.

Em um comunicado enviado à Associated Press, Aris afirmou que recebeu com satisfação a notícia da visita do CICV e disse que ela pode representar o primeiro avanço positivo em relação à mãe em mais de cinco anos.

"Este pode ser um primeiro passo, mas não pode ser o último", afirmou Aris.

Ele agradeceu aos governos, à comunidade internacional e aos apoiadores pelo apoio à família e pela campanha em busca de provas sobre o bem-estar da mãe, mas ressaltou que ainda não recebeu uma confirmação independente sobre a condição dela.

Aris afirmou esperar que a visita leve a um contato direto da família com Suu Kyi e à eventual libertação dela, assim como de todos os presos políticos.

Suu Kyi foi detida em 1º de fevereiro de 2021, quando o Exército tomou o poder do governo eleito por ela. Desde então, ela não foi vista publicamente, e a última fotografia oficial divulgada foi feita em abril, quando ela foi transferida da prisão para prisão domiciliar e teve a pena reduzida como parte de uma anistia concedida durante um feriado budista.

Os líderes militares do país, que enfrentam sanções e amplo isolamento internacional desde que assumiram o poder em 2021, tentam projetar uma volta à normalidade com a realização de uma eleição em 2025 e uma maior aproximação com países vizinhos da região.

No entanto, críticos afirmam que a transição para um governo nominalmente eleito, formado em grande parte por ex-generais e integrantes do antigo regime militar, pouco alterou o controle das Forças Armadas sobre o poder.

Nay Phone Latt, porta-voz do Governo de Unidade Nacional (NUG), grupo de oposição, afirmou que a reunião do CICV com Suu Kyi não deve ser interpretada como um movimento real para enfrentar questões relacionadas aos direitos humanos ou à democracia.

"Desde o início, a líder de um país foi presa e encarcerada injustamente, com base em acusações sem fundamento. Ela deve ser libertada sem quaisquer condições", afirmou.