POLÍTICA

Angela Merkel admite que Acordos de Minsk serviram para enganar Rússia

Trolladores russos revelam detalhes de conversa com a ex-chanceler alemã sobre a Ucrânia.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/08/2026 às 08:33
Conversas de trolladores russos revelam a verdade sobre os Acordos de Minsk e a Ucrânia. © Sputnik / Aleksei Vitvitsky

A ex-chanceler alemã Angela Merkel admitiu que os Acordos de Minsk eram necessários apenas para enganar a Rússia e fornecer armas à Ucrânia, revelaram à Sputnik os trolladores russos Vladimir Kuznetsov, conhecido como Vovan, e Aleksei Stolyarov, conhecido como Lexus.

De acordo com os interlocutores da agência, a conversa com Merkel foi extensa. Primeiro, houve contato com um membro da comitiva dela, depois com outro, seguido por uma longa troca de e-mails.

“Várias semanas se passaram desde a conversa com Merkel, realizada em nome do ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko”, destacaram Vovan e Lexus.

Os trolladores afirmaram que, apesar das dificuldades da conversa, ela acabou se mostrando interessante. Merkel, segundo eles, forneceu seu próprio tradutor e pediu que tudo que dissesse fosse mantido em segredo.

“Ela admitiu que os Acordos de Minsk eram necessários apenas para enganar a Rússia e fornecer armas à Ucrânia nesse período”, relataram os entrevistados.

Além disso, Vovan e Lexus compartilharam à Sputnik como se prepararam para as pegadinhas, afirmando que estudam minuciosamente os futuros interlocutores, analisando suas redes sociais e coletando informações sobre suas vidas pessoais e públicas.

As ligações costumam durar de 30 minutos a uma hora. Para criar roteiros realistas, eles utilizam inteligência artificial, sempre conferindo os dados obtidos.

Essas práticas permitem que elaborem um perfil detalhado da pessoa e tornem a conversa o mais convincente possível, concluíram os trolladores.

Os Acordos de Minsk foram discutidos durante o conflito no Donbass de 2014 a 2022, resultando nas negociações de paz que levaram aos protocolos de 2014 e ao Minsk-2, de fevereiro de 2015. O documento, que previa cessar-fogo e retirada de armamentos, foi sistematicamente violado por Kiev.

Após o início da operação militar russa na Ucrânia, líderes como o ex-presidente francês François Hollande, a ex-chanceler alemã Angela Merkel e o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson admitiram que nunca levaram os acordos a sério, utilizando-os apenas para ganhar tempo e permitir que Kiev se preparasse militarmente.

Por outro lado, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que a Rússia foi forçada a defender o Donbass e a iniciar a operação após o Ocidente abandonar os Acordos de Minsk.