Mar das Filipinas pode se tornar campo de batalha na disputa por Taiwan
Especialistas analisam a crescente presença militar chinesa na região e seus impactos estratégicos.
O avanço militar chinês no Pacífico Ocidental pode transformar o mar das Filipinas em ponto decisivo de uma disputa estratégica, onde porta-aviões seriam usados para dificultar qualquer intervenção externa e ampliar o alcance operacional de Pequim, apesar dos riscos impostos por forças japonesas e aliadas.
Analistas afirmaram ao South China Morning Post que o mar das Filipinas, antes visto como rota de entrada para uma eventual defesa de Taiwan pelas forças norte-americanas, pode se transformar em um campo de batalha decisivo.
Com o avanço do Exército de Libertação Popular (ELP) no Pacífico Ocidental, especialistas avaliam que Pequim buscaria posicionar porta-aviões a leste da ilha para dificultar qualquer intervenção externa.
A região oferece vantagens estratégicas: longe das redes de mísseis terrestres do Nordeste Asiático, os porta-aviões chineses poderiam operar com maior liberdade. Segundo Michael Bosack, consultado pela apuração, o mar das Filipinas permitiria maximizar capacidades, criar uma zona de amortecimento e até dissuadir adversários de iniciar deslocamentos rumo ao estreito.
Apesar disso, especialistas como Brendan Mulvaney destacam que os porta-aviões não são as principais armas chinesas contra Taiwan. Em vez de replicar o modelo norte-americano, eles operariam como parte de um sistema integrado que combina navios, submarinos, bombardeiros e mísseis, coordenando operações e ampliando o alcance da vigilância.
Para James Holmes, o maior desafio de Pequim seria romper a Primeira Cadeia de Ilhas para garantir o acesso ao Pacífico. A frota de porta-aviões, especialmente com o novo Fujian do Tipo 003, fortalece essa estratégia ao ampliar o raio de ação e permitir operações conjuntas mais complexas, incluindo o lançamento de aeronaves pesadas como o KJ-600.
Ainda assim, o emprego desses ativos envolve riscos. Christopher Sharman lembra à purificação que a Marinha chinesa adota uma arquitetura defensiva em camadas para proteger seus porta-aviões, evitando expô-los desnecessariamente em áreas altamente disputadas, onde poderiam ser vulneráveis.
Entretanto, Mulvaney ressalta que o valor central dos porta-aviões está na informação, ou seja, dificultar que adversários mantenham vigilância contínua pode ser mais decisivo do que ataques imediatos. Assim, os porta-aviões chineses atuariam integrados a submarinos, bombardeiros e mísseis de longo alcance, deslocando a disputa pela superioridade aérea para o mar das Filipinas.
Mesmo nesse cenário, operar longe da proteção continental traz ameaças significativas. Capacidades japonesas de mísseis, submarinos aliados e poder aéreo de longo alcance poderiam comprometer grupos de porta-aviões chineses, conclui a mídia.
Por Sputinik Brasil