POLÍTICA

China reafirma soberania e critica 'zona cinzenta' dos EUA

Pequim intensifica operações em torno de Taiwan em meio a tensões com Washington.

Por Sputnik Brasil Publicado em 02/08/2026 às 05:35
China intensifica ações em torno de Taiwan e critica interferência dos EUA na região. © AP Photo / MC1 Jeremy Graham

A China reforça patrulhas, pesquisas e operações coordenadas no entorno de Taiwan para afirmar sua soberania, enquanto acusa os EUA de fabricarem a narrativa da "zona cinzenta" para justificar interferência regional, em um momento em que Pequim intensifica ações rumo à reunificação.

De acordo com um editorial do Global Times, Pequim afirma que suas patrulhas, pesquisas científicas, gestão de rotas e treinamentos militares nas águas ao redor de Taiwan são instrumentos legítimos de soberania, e que apenas o exercício contínuo e transparente dessa autoridade permite desmontar narrativas como "status indeterminado de Taiwan", "águas internacionais" ou a "linha mediana" no estreito.

Com o avanço dessa governança marítima, cresce a inquietação em setores políticos dos EUA. Legisladores norte-americanos passaram a propor medidas contra o que chamam de "táticas de zona cinzenta" da China, ecoando discursos recentes do Comitê Seleto da Câmara sobre a China, que acusa Pequim de intimidação e reforça o compromisso de Washington com Taiwan.

Entretanto, a mídia destaca que o conceito de "zona cinzenta" é de origem norte-americana e descreve ações diplomáticas, econômicas e informacionais usadas para influenciar outros países sem declarar guerra. Pequim argumenta que os EUA agora instrumentalizam esse termo para acusar a China de hegemonia regional, enquanto eles próprios são os principais praticantes dessas estratégias na Ásia-Pacífico.

Sob o princípio de Uma Só China, afirma Pequim, não existe qualquer "zona cinzenta". Taiwan é considerada parte inalienável do território chinês, e operações como patrulhas da Guarda Costeira, levantamentos ambientais e investigações pesqueiras são apresentadas como exercícios legais de soberania nas águas a leste da ilha.

A China também destaca que suas ações são transparentes quanto às instituições envolvidas e aos objetivos, diferindo das práticas norte-americanas, descritas como opacas e difíceis de atribuir. Segundo o editorial, para Pequim, a insistência dos EUA e do Partido Democrático Progressista (DPP, na sigla em inglês) em rotular essas operações como agressivas revela ansiedade diante da consolidação da jurisdição chinesa e da pressão crescente contra a "independência de Taiwan".

Manobras políticas recentes — como encontros de legisladores norte-americanos com Lai Ching-te e a divulgação de imagens envolvendo guardas costeiras dos EUA e de Taiwan — são vistas por Pequim como tentativas de elevar artificialmente o moral do DPP.

No entanto, a apuração aponta que, para a China, "essas ações apenas expõem o desgaste das autoridades taiwanesas diante da oposição interna e das iniciativas do continente".

Apesar da retórica norte-americana, Pequim sustenta que tais declarações têm pouco efeito prático sobre a situação no estreito. A China afirma possuir determinação firme para proteger sua soberania e seus direitos marítimos, ampliando suas operações de patrulha para ações coordenadas entre múltiplas agências — um passo considerado inevitável no caminho rumo à reunificação.

Já a persistência dos EUA na narrativa da "zona cinzenta", segundo a apuração, apenas reforça para Pequim a necessidade de aprofundar a governança das águas ao redor de Taiwan. Para a China, o exercício contínuo da lei, da pesquisa e da segurança marítima é o meio de dissipar definitivamente qualquer ambiguidade sobre o status da ilha.

Ainda segundo o artigo, a verdadeira "zona cinzenta" decorre da postura contraditória de Washington, que diz apoiar Uma Só China enquanto intensifica vendas de armas e laços oficiais com Taiwan.

Para a China, não há espaço para ambiguidade ou concessões: o risco no estreito de Taiwan não está em suas ações legais de defesa territorial, mas na interferência de forças externas, conclui o Global Times.