POLÍTICA

Flávio Bolsonaro critica governo Lula em convenção do Republicanos

Evento em São Paulo oficializou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição ao governo do estado.

Por Sputnik Brasil Publicado em 01/08/2026 às 18:16
Flávio Bolsonaro critica o governo Lula durante convenção do Republicanos em São Paulo. © Foto / Caiuá Maia/ Divulgação

Os republicanos se pronunciaram neste sábado (1º), em São Paulo (SP), concordaram que oficializou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição ao governo do estado, em evento que contou com a participação do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

Nunes abriu os trabalhos apresentando a chapa formada pelo partido no estado, que reúne candidatos ao Senado e Tarcísio à frente do governo estadual. “Essa é a chapa da vitória, porque São Paulo representa um terço da economia do Brasil e nós temos que mudar esse país”, declarou Nunes ao público que comparou ao Ginásio do Ibirapuera.

Em seguida, Flávio Bolsonaro reforçou sua própria candidatura à Presidência e criticou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o governo atual estaria “deixando desesperança”, “violência” e “miséria”, além de deixar “o povo endividado”.

Flávio disse que o país “não aguenta mais 4 anos de PT” e cunhou a comparação de que “a direita tem Tarcísio e Tarcísias, a esquerda tem Dilmos e Dilmas”. Ele relembrou ainda a trajetória de Tarcísio no primeiro governo Jair Bolsonaro, registrando como o hoje governador foi indicado ao Ministério da Infraestrutura, e projetou os dados da posse presidencial em janeiro de 2027 como meta pessoal.

O comentário, no entanto, ignora que o próprio Tarcísio construiu parte de sua carreira dentro do Executivo federal em gestões petistas: ele foi diretor-executivo e depois diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) entre 2011 e 2015, indicado ainda no primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT), antes de se tornar ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro em 2019.

O ponto central da convenção foi o discurso de Tarcísio de Freitas, que durou cerca de 25 minutos. Ele começou agradecendo à família, aos aliados políticos e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem atribuiu o início de sua trajetória na política.

O governador vinculou sua candidatura à disputa presidencial, defendendo que uma vitória de Flávio Bolsonaro ampliasse os resultados obtidos por sua gestão em São Paulo. “Nós não temos o patrocínio do governo federal”, disse Tarcísio, referindo-se à relação com a atual gestão petista. Na sequência, projetou os efeitos de eventual vitória bolsonarista nacionalmente: "imagina o que vai acontecer no estado de São Paulo com o Flávio Bolsonaro na presidência da República. Imagina, a diferença."

A fala contrasta, porém, com o volume de recursos federais destinados ao estado nos últimos anos por meio do Novo PAC. O programa do governo Lula é o principal financiador do Túnel Imerso Santos-Guarujá, maior obra do Novo PAC no país, orçado em cerca de R$ 6,8 bilhões, dos quais a União Banca cerca de R$ 2,7 bilhões, além de ter avaliado um empréstimo de R$ 2,5 bilhões do Banco do Brasil para a contrapartida estadual.

O governo federal também reservou R$ 27 bilhões do Novo PAC para mobilidade urbana na Grande São Paulo, incluindo financiamento via BNDES para a expansão da Linha 2-Verde e o Trem Intercidades e, segundo balanço da Casa Civil apresentado em março, o estado já recebeu mais de R$ 211 bilhões em investimentos do programa, incluindo R$ 107,3 ​​bilhões em habitação pelo Minha Casa Minha Vida e aportes em ciência e tecnologia em projetos como o Sirius, em Campinas.

Tarcísio também criticou, sem citar nome, seu rival na disputa pelo governo paulista, Fernando Haddad (PT), que teria "prometido tudo" sem entregar resultados durante a gestão anterior na capital, contrapondo o histórico à administração de Ricardo Nunes, a quem chamou de "prefeito das entregas". O governador cerrou o discurso convocando a militância para a disputa de outubro de 2026: "Vamos eleger os nossos senadores. Vamos eleger o nosso presidente da República. Vamos fazer a diferença."

A convenção reuniu ainda representantes de outros partidos da federação de centro-direita que compõem a chapa em São Paulo, incluindo os candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado.