Conflito entre EUA e Irã se espalha e provoca tensões em toda a região
Escalada militar gera preocupação com fornecimento de energia e possibilidade de recessão global.
Na semana passada, o conflito entre EUA e Irã, em rápida escalada, saiu do controle, espalhando-se pelo Oriente Médio e desencadeando ataques e contra-ataques em pelo menos cinco outros países, escreveu um jornal britânico.
A reportagem destaca que, em vez de travar uma guerra rápida para derrubar o governo do Irã, Washington desencadeou um conflito regional que coloca em risco o fornecimento e os preços globais de energia, podendo levar o mundo a uma recessão.
"Após alguns dias de relativa calma, o conflito recomeçou, com o Pentágono realizando ataques noturnos contra o Irã e Teerã retaliando contra bases militares dos EUA na região. O conflito também se estendeu a ataques na Arábia Saudita, no Iraque, no Iémen, na Jordânia e no Egito", ressalta a publicação.
Segundo a matéria, os ataques aéreos dos EUA e da Arábia Saudita no Iraque, realizados sem o conhecimento prévio de Bagdá, não apenas aprofundaram a desconfiança iraquiana, como também arrastaram o frágil equilíbrio de poder do país para a crescente tempestade regional.
Enquanto Riad intensifica seus ataques contra aliados do Irã no Iraque, prepara uma grande ofensiva contra os houthis no Iémen, ameaçando derrubar o já frágil cessar-fogo e reabrir uma devastadora guerra por procuração em uma segunda frente.
Ao mesmo tempo, os houthis intensificaram o bloqueio no mar Vermelho, forçando a Arábia Saudita a redirecionar quase metade de suas exportações de petróleo e visando diretamente a infraestrutura energética do reino, transformando assim uma rota marítima global vital em um novo ponto de inflamação.
Com o fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã e os repetidos ataques às instalações energéticas do Golfo, a economia da Arábia Saudita já sofreu uma contração significativa, e as campanhas militares cada vez maiores estão causando ondas de choque nos mercados globais de petróleo e elevando o espectro de uma recessão mundial, observa o jornal.
Em meio a tudo isso, as negociações de paz entre EUA e Irã, intermediadas pelo Paquistão e Catar, mostram pouco progresso, enquanto os líderes regionais se distanciam cada vez mais da estratégia de Washington — sinais claros de que o conflito está escapando rapidamente de qualquer contenção diplomática ou militar, conclui a reportagem.
Tensões aumentam após fim do cessar-fogo
Em 8 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo firmado com o Irã na noite de 18 de junho havia deixado de vigorar.
Desde então, forças norte-americanas realizaram diversas séries de ataques contra alvos iranianos. O Comando Central dos EUA afirmou que as operações foram uma resposta a ações atribuídas a Teerã contra embarcações comerciais que cruzavam o estreito de Ormuz.
Em resposta, as Forças Armadas iranianas atacaram bases militares dos Estados Unidos em diferentes países do Oriente Médio. O governo iraniano também acusou Washington de violar o memorando que previa a interrupção das hostilidades.