Aumento de Estupros e Feminicídios no Primeiro Semestre em São Paulo
Dados da Secretaria da Segurança Pública apontam queda em homicídios e roubos, mas crescimento em crimes contra mulheres.
O Estado de São Paulo registrou alta de estupros e feminicídios no primeiro semestre deste ano, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, 31, pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP). Em contrapartida, houve queda nos índices de homicídios, roubos e furtos, incluindo na capital.
- Os casos de estupro aumentaram 6% no período, totalizando 7,7 mil ocorrências, sendo quase 1,2 mil apenas em junho, o que representa um crescimento de 15,36% em relação ao mesmo mês de 2025, conforme os dados oficiais;
- No que diz respeito aos feminicídios, a alta foi de 10% de janeiro a junho, com 142 registros contabilizados.
A SSP ressaltou, em nota, que o combate à violência contra a mulher é uma prioridade em São Paulo. Atualmente, o Estado conta com 144 Delegacias da Mulher (DDMs) e 220 Salas DDM para atendimento remoto, além de outras medidas de proteção. Mais de 10 mil suspeitos foram detidos por violência doméstica em 2026.
O Instituto Sou da Paz expressou preocupação com o aumento da violência contra a mulher. “Com esse número, São Paulo alcança o alarmante patamar de aproximadamente 42 notificações de estupro por dia”, afirmou a entidade em comunicado divulgado nesta sexta.
Na capital, o crescimento nas ocorrências de estupro foi ainda mais expressivo, com um aumento de 10,8%, totalizando 1.648 boletins de ocorrência no primeiro semestre. No último mês, os casos saltaram 30,9% na cidade.
Recentemente, a Polícia Civil abriu uma investigação após uma denúncia de estupro de vulnerável na sede social do Palmeiras, na região de Perdizes, zona oeste da capital. A vítima é uma menina de apenas quatro anos.
Imagens de câmeras de segurança mostram que a criança ficou por ao menos 15 segundos no banheiro masculino. O suspeito, de 74 anos, foi suspenso do clube, que se comprometeu a colaborar com as investigações.
Os advogados do investigado alegaram que ele nega totalmente as acusações e requisitou acesso aos procedimentos instaurados para que possa exercer seu direito de defesa e oferecer os esclarecimentos necessários.
No fim de abril, três adolescentes foram detidos sob suspeita de participação em um estupro coletivo de vulneráveis após denúncias de vídeos que circulavam nas redes sociais, mostrando o abuso de duas crianças, uma de 7 e outra de 10 anos. O secretário da Segurança Pública do Estado, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que não conseguiu assistir às imagens até o fim devido à brutalidade.
O caso ocorreu em 21 de abril na comunidade de União de Vila Nova, no bairro da Subprefeitura de São Miguel Paulista, na zona leste da capital. Dias depois, também foram presos um quarto adolescente e um adulto que estava foragido na Bahia.
Embora tenha havido um aumento de 10% nos feminicídios no Estado, destaca-se que na capital houve uma redução de 22,5% nas ocorrências registradas, indicando um cenário mais pulverizado.
O Instituto Sou da Paz observou que, no primeiro semestre, quase 70% dos casos registrados em São Paulo ocorreram em cidades do interior, o que exige a formulação de estratégias específicas para o combate a essa forma de violência.
“As diferenças entre as regiões sugerem que as abordagens de prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres devem considerar as disparidades regionais em termos de acesso a serviços de proteção e atendimento”, aponta a nota do instituto.
Além disso, o aumento dos feminicídios em São Paulo reforça a urgência de políticas voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência letal contra as mulheres, frequentemente cometida por seus parceiros dentro de casa.
Conforme a última edição do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mesmo com uma das menores taxas de casos para 100 mil habitantes no País, o Estado registrou uma alta de 6,4% nos feminicídios no ano passado, aumento superior à média nacional, que foi de 4%.
A SSP informou que, além das Delegacias de Defesa da Mulher, o Estado conta com a Cabine Lilás e a Patrulha SP Mulher Segura, que ampliam o monitoramento de agressores com medidas protetivas e agilizam o atendimento de emergências via serviço 190.
“Existem também as Salas Lilás, que são espaços destinados ao atendimento humanizado das vítimas durante a realização do exame de corpo de delito, garantindo a materialidade nos casos que deixem vestígios”, complementa a nota.
Ainda segundo a secretaria, o aplicativo SP Mulher Segura oferece um botão do pânico e uma lista de serviços às mulheres, já atendendo mais de 76 mil usuárias. “A SSP também reitera a importância de a população registrar denúncias e comunicar imediatamente qualquer crime, seja pelo 190, pelo aplicativo SP Mulher Segura ou nas DDMs”, reforça.
Letalidade policial
As mortes em decorrência de intervenções policiais caíram 2,47% no primeiro semestre deste ano. Foram 356 casos envolvendo agentes das polícias Civil e Militar, tanto em serviço quanto fora dele, de janeiro a junho, comparado a 365 no mesmo período do ano anterior.
A SSP enfatiza que mantém “ações contínuas voltadas à preservação da vida através da revisão constante de protocolos, aperfeiçoamento no desempenho policial, responsabilização de desvios”, e ampliação do uso de tecnologias como as Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) e equipamentos de menor potencial ofensivo.
Dados do primeiro semestre no Estado
Estupros: 7.694 casos, alta de 6,07%;
Latrocínios: 44 vítimas, queda de 36,23%;
Homicídios: 1.193 vítimas, queda de 7,88%;
Roubos: 71.448 casos, queda de 14,61%;
Furtos: 263.002 casos, queda de 5,08%;
Feminicídios: 142 casos, aumento de 10,08%.
Estatísticas do primeiro semestre na capital
Estupros: 1.648 casos, alta de 10,83%;
Latrocínios: 16 vítimas, queda de 23,81%;
Homicídios: 232 vítimas, queda de 13,43%;
Roubos: 44.649 casos, queda de 12,91%;
Furtos: 120.806 casos, queda de 2,37%;
Feminicídios: 24 casos, queda de 22,5%.