Egito refuta acusações de ataque iraniano ao porto de Damietta
Governo egípcio promete transparência após investigação do incidente com drone.
O ministro de Estado da Informação do Egito, Diaa Rashwan, negou nesta sexta-feira (31) informações publicadas pelo The Wall Street Journal que atribuíram ao Irã a responsabilidade pelo ataque com drone ao porto de Damietta, no norte do país. Segundo ele, o governo só divulgará conclusões após o encerramento da investigação oficial.
Rashwan criticou a reportagem do jornal norte-americano, que citou duas fontes egípcias anônimas para sustentar a acusação contra Teerã. O ministro afirmou que informações oficiais são divulgadas exclusivamente pelas autoridades competentes e pediu que a imprensa evite publicar relatos sem comprovação.
Em declarações à televisão egípcia, o ministro disse que o governo manterá transparência sobre o caso, mas ressaltou que nenhuma conclusão será anunciada antes do fim das investigações.
O ministro afirmou que o Estado trata o episódio "com a máxima seriedade" e classificou o incidente como motivo de preocupação para as autoridades egípcias.
Segundo Rashwan, a identificação dos responsáveis dependerá exclusivamente das conclusões da apuração conduzida pelos órgãos competentes do país. Ele acrescentou que um comunicado oficial será divulgado assim que a investigação for concluída.
Rashwan também comentou a declaração do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, que negou qualquer participação de Teerã no ataque. Para o ministro egípcio, a manifestação iraniana "merece consideração e reflexão", embora a posição oficial do Cairo dependa apenas dos resultados da apuração.
Ataque atingiu porto estratégico para exportação de gás
O incidente ocorreu na última quarta (29), quando um ataque com drone provocou uma explosão e incendiou duas embarcações atracadas no porto de Damietta, na costa mediterrânea do Egito.
As autoridades egípcias informaram que o incêndio foi controlado sem registro de vítimas. Uma das embarcações atingidas era um navio de armazenamento de gás ligado aos Estados Unidos.
O porto de Damietta abriga um dos principais terminais de gás natural liquefeito (GNL) do Egito e ocupa posição estratégica para as exportações de energia no Mediterrâneo.
Até o momento, nenhuma organização reivindicou a autoria do ataque. O episódio foi o primeiro registrado em território egípcio desde a escalada recente do conflito envolvendo Irã e Israel e ampliou as preocupações com a segurança de uma das principais rotas energéticas da região.