ECONOMIA

Dólar registra alta em meio a tensões geopolíticas, mas real se valoriza em julho

Câmbio tem movimento cauteloso antes do fim de semana, com ambiente externo influenciando o mercado.

Por Estadao Conteudo Publicado em 31/07/2026 às 17:57
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Terminada a disputa pela Ptax de fim de mês, o dólar à vista seguiu em alta e fechou com avanço de 0,18%, a R$ 5,0704. As tensões no Oriente Médio induzem maior cautela dos investidores antes do final de semana, com destaque para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterando que atacará o Irã com "toda a força" e Israel rejeitando o plano do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza.

Assim como de manhã, o movimento acompanha o fortalecimento da moeda americana no exterior e a alta dos Treasuries, após dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) - Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari - terem justificado, em comunicado nesta sexta, o voto dissidente na reunião do Fed de julho por um aumento de 0,25 ponto porcentual no juro básico americano.

O chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia, afirma que o movimento do câmbio nesta sexta-feira está associado a um ajuste, com dólar puxado pelo exterior a partir da abertura das taxas dos Treasuries e após o real ter desempenho positivo na véspera, quando inclusive fechou na melhor cotação desde 2 de junho. "Não há nada muito relevante em termos de notícia, mas com o conflito no Oriente Médio, o mercado fica mais defensivo antes do fim de semana."

Trump reiterou no período da tarde que o Irã não terá mais nenhuma capacidade militar e disse que está perdendo a confiança em um acordo com o país, em meio a "mentiras" de Teerã. Garcia, contudo, nota que o mercado não embutiu muito preço porque "aprendeu a reagir com força só quando algo de fato acontece".

Para a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, a busca por proteção antes do final de semana deu um pouco de suporte para a moeda americana e, pela manhã, a questão técnica da Ptax de fim de mês fez preço. Ela faz menção à disputa entre comprados e vendidos em dólar - que, por fim, fez com que a Ptax fechasse em R$ 5,0773, alta de 0,07% em relação ao fechamento anterior, mas com queda de 1,92% no mês de julho e baixa de 7,73% no ano.

Como vislumbrado pela Ptax, em julho o real apreciou 1,79% ante o dólar no segmento à vista, com apoio da valorização de mais de 20% dos contratos futuros de petróleo e do carry trade ainda atrativo.

"No acumulado do mês, o petróleo contribuiu com os termos de troca, com balança comercial, e até fez a conta corrente vir um pouco melhor do que o esperado. Investimento direto do estrangeiro também tem vindo com números bons, e o cenário de carry alto ajudou o real", relembra Garcia, do C6.

Esta semana - com dólar em baixa de 0,21% - também trouxe um discurso mais brando do presidente do Fed, Kevin Warsh, que contribuiu para um leve apetite a risco. "Warsh se mostrou menos duro, embora a decisão de julho tenha vindo com três votos favoráveis à alta da taxa básica de juros americana", comenta o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo.

Por volta das 17 horas, o DXY, que mede o dólar contra seis pares fortes, subia 0,10% - com alta reduzida pela recuperação do iene japonês - e o contrato do dólar para agosto avançava 0,23%, a R$ 5,0780.