Itália interrompe acordo de Schengen com a Espanha diante da crise migratória em Ceuta
Decisão resulta em controles nas fronteiras marítimas e aéreas entre os dois países.
A Itália suspendeu o acordo de Schengen com a Espanha devido ao fluxo de migrantes no enclave espanhol de Ceuta, impondo controles nas fronteiras marítimas e aéreas entre os dois países, informou o jornal La Stampa nesta sexta-feira (31), citando o Ministério do Interior.
A decisão foi tomada com base nos dados mais recentes analisados em uma reunião do comitê de análise de imigração e segurança de fronteiras, segundo a reportagem. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, havia dito anteriormente que estava considerando suspender o Acordo de Schengen com a Espanha devido à crise.
Na França, o presidente Emmanuel Macron declarou que o país mobilizou tropas, aeronaves e drones em sua fronteira com a Espanha: "Quatro unidades da força de reação rápida, aeronaves e drones foram mobilizados [na fronteira com a Espanha]."
Apesar do movimento das autoridades europeias para o controle fronteiriço, o território de Ceuta fica localizado no continente africano e é separado pelo estreito de Gibraltar da Europa continental.
Na quinta-feira (30), milhares de jovens marroquinos se reuniram na fronteira entre o Marrocos e Ceuta. A principal autoridade do enclave espanhol, Juan Jesús Vivas, disse que cerca de 60 mil pessoas haviam entrado em Ceuta, vindas do Marrocos, em um único dia. Pelo menos 57 delas morreram na travessia pelo mar para evitar a fronteira terrestre.
O Ministério do Interior da Espanha informou nesta sexta-feira que mais de 48.300 migrantes ilegais já retornaram de Ceuta para o Marrocos.
Sanchez pede unidade na União Europeia
O presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, pediu aos Estados-membros da União Europeia que permaneçam unidos, em meio a apelos pela suspensão temporária da Espanha do Espaço Schengen.
"Não é hora de divisão. É hora de continuar construindo uma União Europeia forte e unida."
Além da Itália, Dinamarca, Finlândia e República Tcheca pediram a suspensão da Espanha do Espaço Schengen.
Sánchez citou dados da Frontex, a agência de fronteiras da União Europeia, observando que 478.600 migrantes ilegais entraram pela Itália entre 2021 e 2026, em comparação com 340.600 pelos Bálcãs Ocidentais, 259.800 pela Grécia e 234.800 pela Espanha.
"Solidariedade e empatia são uma questão de escolha. O cumprimento dos tratados europeus e o respeito aos dados, não."
Grushko: verdadeira 'solidariedade' da UE é revelada
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Grushko, afirmou que as propostas para suspender o Acordo de Schengen com a Espanha em razão do fluxo de migrantes no enclave espanhol de Ceuta revelam a verdadeira natureza da solidariedade europeia.
"Este é um exemplo da chamada solidariedade europeia. Não direi mais nada sobre esse assunto. Eles gostam de falar em solidariedade. Na realidade, a solidariedade deles agora se manifesta apenas na disputa sobre quem adotará uma postura mais dura em relação à Rússia e quem atribuirá planos mais hostis ao nosso país."
Ninguém ajudará os espanhóis, pois a chamada solidariedade europeia começa e termina "em casa", acrescentou Grushko.