Zakharova critica Europa por negociações sobre a Ucrânia
Representante russa afirma que ocidente ignora posição de Moscovo nas discussões.
Os países europeus insistem em participar das negociações para uma solução do conflito na Ucrânia, mas se recusam a ouvir a posição da Rússia, afirmou nesta quinta-feira (31) a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova.
Em entrevista, Zakharova afirmou que qualquer ponto de vista que diverja da posição oficial do Ocidente é reprimido na Europa. Como exemplo, ela citou a recusa de um veículo europeu em publicar um artigo do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, sobre a situação na Ucrânia.
A diplomata destacou que, ao longo do último ano, líderes e autoridades europeias defenderam repetidamente a participação do bloco nas negociações.
"Creio que todos ouviram essas declarações. De Kaja Kallas a Emmanuel Macron, de Friedrich Merz a Ursula von der Leyen. Elas são repetidas em toda parte: afirmam que precisam, obrigatoriamente, participar das negociações e do processo de solução do conflito. Mas, se querem estar à mesa de negociações, deveriam ouvir a posição de todas as partes", declarou Zakharova.
Segundo a representante oficial, não faz sentido participar de uma mesa de negociações sem conhecer a posição do outro lado.
Já o chanceler russo afirmou nesta semana que os países ocidentais estão guerreando contra a Rússia através da Ucrânia, fornecendo armas modernas e fazendo provocações para incitar a sociedade contra as autoridades.
Lavrov lembrou que, quando o presidente russo, Vladimir Putin, chegou ao poder, estava absolutamente aberto para um diálogo igualitário e parceria estratégica com o Ocidente.
"Agora, nossos antigos aliados, nomeadamente os anglo-saxões, com diferentes graus de frenesim – Londres mais, os Estados Unidos um pouco menos – estão lutando contra nós através da Ucrânia, bombeando-a com as armas mais modernas, anunciando que produzirão novos sistemas antimísseis letais e de alta tecnologia especificamente para a Ucrânia", disse Lavrov.
Como sublinhou o ministro, os países ocidentais queriam deliberadamente despertar a sociedade pacífica contra as autoridades, já que não sabem competir honestamente. Por isso introduziram sanções para tentar manter posições que "escapam irreversivelmente após 500 anos de domínio ocidental", acrescentou Lavrov.