ECONOMIA

Dólar atinge menor cotação em quase dois meses com influência externa

Moeda americana se desvalorizou devido à entrada de capital estrangeiro e dados de inflação nos EUA.

Por Agência Brasil Publicado em 30/07/2026 às 19:26
Dólar encerra em queda, atingindo menor valor em quase dois meses, impulsionado por fatores externos.

O dólar encerrou esta quinta-feira (30) no menor valor em quase dois meses, refletindo o enfraquecimento da moeda estadunidense no mercado internacional e a entrada de capital estrangeiro.

A bolsa brasileira subiu cerca de 2%, enquanto os preços do petróleo recuaram, à medida que investidores reduziram parte do prêmio de risco gerado pelas tensões no Oriente Médio.

A melhora do ambiente externo ocorreu após dados de inflação dos Estados Unidos reforçarem a percepção de que o Federal Reserve pode adotar uma postura menos rígida em relação aos juros nos próximos meses, beneficiando ativos de maior risco como ações e moedas de países emergentes.

Principais números:
• Dólar à vista: R$ 5,061 (-0,93%);
• Ibovespa: 177.158 pontos (+1,88%);
• Petróleo Brent: US$ 86,88 (-1,37%);
• Petróleo WTI: US$ 83,59 (-1,03%)

Câmbio recua

O dólar comercial encerrou esta quinta vendido a R$ 5,061, com recuo de R$ 0,04 (-0,93%). Essa cotação é a mais baixa em quase dois meses.

O principal fator para essa desvalorização vem dos Estados Unidos. Dados mostraram que o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE), indicador de inflação monitorado pelo Fed, avançou apenas 0,1% em junho, abaixo da expectativa de 0,2% do mercado.

Esse resultado reforça a leitura de que a autoridade monetária estadunidense não terá necessidade de elevar os juros no curto prazo.

Com o aumento da expectativa de juros estáveis nos Estados Unidos, o dólar tende a perder força no mercado internacional. Assim, os investidores buscam ativos considerados mais rentáveis e, nesse contexto, moedas de países emergentes, como o real, costumam se valorizar.

Além disso, a percepção de maior entrada de investidores estrangeiros no mercado doméstico contribuiu para a valorização do câmbio brasileiro.

Operadores relataram um aumento na demanda por ativos brasileiros, especialmente ações de grandes empresas, o que amplia a oferta de dólares e favorece a valorização do real.

No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, recuou 0,93%, pressionado pela valorização do iene japonês.

Ibovespa dispara

O ambiente externo favorável também impulsionou a Bolsa brasileira.

O Ibovespa subiu 1,88%, encerrando o pregão aos 177.158 pontos, recuperando integralmente as perdas registradas após a decisão de política monetária do Federal Reserve na véspera.

Esse movimento foi acompanhado por ganhos nas bolsas internacionais:

• Dow Jones (empresas industriais dos Estados Unidos): +1,19%;
• S&P 500 (500 maiores empresas estadunidenses): +1,67%;
• Nasdaq (empresas de tecnologia): +2,78%.

No Brasil, o cenário foi potencializado pela expectativa de redução da taxa Selic nos próximos meses, conforme indicadores recentes de inflação mostraram uma tendência de estabilidade.

As ações de maior peso no índice lideraram os ganhos, com destaque para bancos, petroleiras e mineradoras.

Petróleo cai

Os preços internacionais do petróleo fecharam em queda após devolverem parte da forte alta registrada na sessão anterior.

O barril do Tipo Brent, referência no mercado internacional, caiu 1,37%, cotado a US$ 86,88. O WTI, do Texas, recuou 1,03%, para US$ 83,59.

Durante a madrugada, as cotações chegaram a subir em reação a novos ataques entre Estados Unidos e Irã. Contudo, o mercado diminuiu parte do prêmio de risco ao acompanhar negociações envolvendo o Estreito de Ormuz, avaliando que não houve interrupção permanente do abastecimento mundial.

Além do cenário geopolítico, investidores também estão atentos à reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), que ocorrerá neste domingo e poderá discutir novos níveis de produção.

*Com informações da Reuters