Petróleo registra queda enquanto negociações no Ormuz continuam
Os preços do petróleo caem apesar dos ataques entre EUA e Irã e das conversas sobre o Estreito de Ormuz.
O petróleo fechou em queda nesta quinta-feira, 30, apesar da manutenção dos ataques bélicos entre os Estados Unidos e o Irã. A retração ocorreu enquanto Teerã afirma que continuam em negociações com Omã sobre a administração do Estreito de Ormuz, em meio à redução do fluxo de embarques de petróleo na região devido ao conflito.
Negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o petróleo WTI para setembro fechou em queda de 1,03% (US$ 0,87 ), a US$ 83,59 por barril. O petróleo Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 1,37% (US$ 1,21 ), a US$ 86,88 o barril.
O petróleo chegou a subir durante a madrugada, depois que os Estados Unidos afirmaram ter realizado “uma intensa onda de ataques” contra o Irã. O regime persa prometeu nova retaliação ainda hoje. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, em inglês) afirmou ter atacado hoje a base aérea de Al-Azraq, na Jordânia, mas a informação foi negada pelo governo americano.
A commodity energética passou a cair depois que o Irã afirmou que as negociações com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz seguem em andamento. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, porém, reiterou que a via marítima permanece fechada. Segundo a agência iraniana Fars, um navio carregado de gás natural liquefeito atravessou o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira, com a permissão do Irã, apesar do bloqueio.
Enquanto isso, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, em inglês) informou que cumpriu "rigorosamente" o bloqueio naval contra o Irã no Golfo Pérsico e, até 29 de julho, já redirecionou 20 navios comerciais, desativando dois .
A Capital Economics alerta que apesar do tráfego pelo Estreito de Ormuz seguir praticamente paralisado, o petróleo acumula-se líquido na semana, alimentando dúvidas sobre o aparente descompasso entre o mercado futuro e o mercado físico. “As condições no físico continuam críticas e, se não houver uma retomada consistente dos fluxos pelo estreito, avaliamos que o mercado pode se aproximar de um ‘ponto de inflexão’ por volta do início do quarto trimestre”, avalia a consultoria.
Os traders também voltam as atenções para a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) neste domingo, com a expectativa de que o cartel eleve sua produção em setembro.