ECONOMIA

Déficit primário do governo central chega a R$ 48,178 bilhões em junho

Resultado foi inferior ao registrado no mês anterior e supera expectativas do mercado, segundo o Tesouro.

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/07/2026 às 14:52
Banco Central

As contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) tiveram déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, após um resultado negativo de R$ 53,257 bilhões em maio, informou o Tesouro nesta quinta-feira, 30.

O déficit de junho superou a mediana da pesquisa Projeções Broadcast , que apontou para um resultado negativo de R$ 47,20 bilhões. As estimativas do mercado, todo o déficit, variou de R$ 50,155 bilhões a R$ 39,0 bilhões.

O déficit primário do mês passado foi maior do que o registrado em junho de 2025, quando o saldo nas contas do governo central foi negativo em R$ 44.216 bilhões. Esse foi o pior resultado para meses de junho desde 2023, quando houve déficit de R$ 51.640 bilhões.

As despesas do governo central cresceram 9% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025, já contabilizando a inflação do período. As receitas totais tiveram alta real de 10,2%, na mesma base de comparação.

No mês passado, a arrecadação do governo com impostos e contribuições federais somou R$ 264.437 bilhões, o maior resultado para meses de junho desde 2000, segundo dados da Receita Federal.

Acumulado

O governo central tem déficit primário de R$ 92.227 bilhões no acumulado até junho de 2026. No mesmo período de 2025, o resultado foi negativo em R$ 11.277 bilhões, sem correção pelo IPCA . As despesas tiveram altas reais de 12,3% no soma do ano, enquanto as receitas totais subiram 5,2% acima da inflação. O déficit do governo central no acumulado do ano é o pior desde 2020.

No acumulado de 12 meses até junho, o déficit primário do governo central soma R$ 144,1 bilhões, o equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB) . As despesas obrigatórias somam 17,76% do PIB, e as discricionárias, 1,89%.

A meta fiscal de 2026 é de superávit primário de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto porcentual para mais ou para menos.

No Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre, o governo aumentou a estimativa de superávit primário de 2026, já considerando as abordagens para o cumprimento da meta, de R$ 4,1 bilhões, estimado no segundo relatório, para R$ 10,8 bilhões. Ao deduzir R$ 62,8 bilhões de alterações, o resultado esperado para o ano é negativo em R$ 52 bilhões.