ECONOMIA

FMI aponta aumento de desequilíbrios globais e necessidade de reformas internas

Relatório revela superávit da China e déficits dos EUA em meio a tensões comerciais.

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/07/2026 às 13:51
FMI © AP Photo / Andrew Harnik

Os desequilíbrios nas contas correntes no mundo aumentaram em 2025, puxados principalmente pela China, onde o superávit externo teve a maior ampliação em pelo menos duas décadas e meia, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI). A alta foi parcialmente compensada por alguma redução dos déficits dos Estados Unidos e do superávit da zona do euro.

De acordo com o mais recente Relatório do Setor Externo do FMI, o superávit em conta corrente da China arrecadou cerca de US$ 300 bilhões no ano passado - a maior abertura em termos absolutos desde pelo menos 2000 - e alcançou aproximadamente 0,6% do PIB mundial. Já o déficit dos EUA reduziu US$ 69 bilhões , mas foi disparado como o maior do planeta, em torno de 0,9% do PIB global, superando a soma dos superávits da China e da zona do euro.

O avanço dos saldos globais, segundo o Fundo, ocorre em meio a questões comerciais elevadas e uma mudança relevante na política comercial americana. No momento, a leitura é dificultada por outros fatores - como o boom de investimentos em inteligência artificial - mas o FMI aponta uma reconfiguração marcante do comércio, com queda acentuada das importações dos EUA provenientes da China e aumento das compras americanas do resto do mundo.

O relatório ressalta que superávits e déficits externos não são, por si, um problema. A preocupação surge quando esses saldos se tornam "excessivamente grandes e persistentes". Para a organização, desequilíbrios persistentes podem indicar má alocação de recursos, elevar vulnerabilidades financeiras e aumentar o risco de ajustes desordenados. A instituição defende a ação simultânea das principais economias para reduzir desequilíbrios e apoiar o crescimento.