Inadimplência de crédito se estabiliza em junho, aponta Banco Central
Fernando Rocha, do BC, destaca que taxa de inadimplência permanece em níveis históricos.
O chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, disse nesta quinta-feira (30) que a inadimplência se estabilizou, mas permaneceu em níveis recordes em diversas modalidades acompanhadas pela autarquia em junho.
A inadimplência do crédito total, por exemplo, se manteve em 4,7%, o maior nível da série histórica. A taxa de descumprimento de obrigações financeiras no crédito livre continuou em 6,2%, que também é um nível recorde.
Segundo o técnico do BC, que concedeu entrevista coletiva sobre as estatísticas monetárias e de crédito de junho, o comportamento dos dados pode refletir os impactos da resolução CMN 4.966, que mudou a forma de contabilidade da inadimplência pelos bancos e contribuiu para elevar a taxa.
"A nova regulamentação permitiu que os bancos avaliem individualmente cada uma das operações", lembrou Rocha. "Isso fez com que as operações inadimplentes permanecessem mais tempo na carteira do banco, e fez com que aumentasse a taxa de inadimplência."
Rocha destacou, ainda, a queda de 1,2 ponto porcentual na inadimplência da linha "composição de dívidas" do crédito livre às pessoas físicas. Segundo o técnico, isso pode refletir os impactos do Novo Desenrola.
O técnico observou, ainda, que a linha de operações sem garantia puxou a alta dos juros no crédito livre para pessoas físicas em junho. O juro médio do crédito livre PF cresceu de 62,8% em maio para 64,0% em junho, enquanto o do crédito não-consignado sem garantias aumentou de 142,8% para 149,5%.