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XTransfer Aposta no Brasil para Conectar PMEs à China

Publicado em 30/07/2026 às 12:11

A XTransfer, maior plataforma chinesa de pagamentos B2B cross-border, abriu seu escritório no Brasil em meio a uma onda de expansão de empresas chinesas pela América Latina. Segundo Violas Xiao, CEO da companhia para Singapura e América Latina, o país virou prioridade por três motivos: o crescimento do comércio bilateral com a China, a presença cada vez maior de marcas chinesas no mercado brasileiro e a dificuldade que pequenas e médias empresas locais ainda enfrentam para pagar fornecedores internacionais com agilidade e menos burocracia.

O foco da empresa está justamente nas PMEs, responsáveis por cerca de metade dos US$ 33 trilhões movimentados anualmente pelo comércio exterior B2B no mundo, mas que costumam ter acesso limitado a bancos internacionais e mesas de câmbio. A aposta da XTransfer é usar sua base de dados — com 9 milhões de perfis de empresas e mais de 300 fontes cruzadas — para reduzir custos e riscos cambiais nessas transações.

Outro ponto central da estratégia é o Pix. Para Xiao, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos é uma vantagem competitiva em relação a outros países da região, como México, Colômbia e Argentina. A expectativa é que, no futuro, conexões entre o Pix e sistemas de outros países abram caminho para liquidações diretas entre real e yuan, reduzindo a dependência do dólar e do sistema de transações Swift em parte das operações comerciais entre Brasil e China.

Outras perspectivas da conexão Brasil e China

A aproximação entre os dois países vem sendo cada vez mais manifestada de diversas formas.

No universo dos jogos, por exemplo, há títulos como Fortune Rabbit Online que exploram elementos visuais da cultura chinesa. Disponível em plataformas no Brasil, ele ainda traz o Coelho da Sorte do horóscopo chinês como personagem principal. Outro jogo que também pode ser destacado é o Black Myth: Wukong. Inspirado na obra clássica chinesa Jornada ao Oeste, o título da chinesa Game Science ultrapassou 30 milhões de cópias vendidas no mundo, mostrando como a narrativa chinesa conquistou público global — incluindo o brasileiro.

Já no setor automotivo, os carros elétricos chineses já ganharam espaço no Brasil. Marcas como BYD, Xiaomi, Geely e Chery vêm superando rivais ocidentais em tecnologia de baterias, software embarcado e preço, tornando-se cada vez mais comuns nas ruas brasileiras. Inclusive, outra marca chinesa que deve chegar logo mais ao Brasil é a XPeng, com estreia prevista para ainda esse ano.

Até o café, símbolo brasileiro por excelência, entra nessa troca cultural. A Luckin Coffee, uma das maiores redes de café da China, ainda não opera no Brasil, mas mantém lojas temáticas brasileiras em território chinês e utiliza grãos do país em sua produção. A rede também possui o Museu do Café Brasileiro em sua base de torrefação em Jiangsu.

Os próximos passos da XTransfer no Brasil

Visivelmente Brasil e China estão se aproximando em suas respectivas rotinas, e é nos bastidores dos negócios que a XTransfer quer consolidar essa ponte. A empresa já está começando a atuar no Brasil, montando times de vendas, compliance, marketing e relacionamento com bancos, além de buscar licenças de operação.

Para Violas Xiao, a visão de longo prazo da XTransfer é facilitar a vida do comerciante brasileiro. Aos que desejam crescer na Ásia, a estrutura da XTransfer será a melhor escolha, evitando assim ter que lidar sozinhos com a complexidade de uma expansão internacional.