Justiça do Trabalho condena pseudocooperativa por fraudar direitos de mais de 1,5 mil trabalhadores em Alagoas
Decisão atende a pedido do MPT/AL e impõe R$ 500 mil em indenização, além de determinar a dissolução da entidade e o registro formal das carteiras de trabalho
A Vara do Trabalho de Palmeira dos Índios condenou a Moderniza — Cooperativa de Trabalho, Serviços Gerais e Administrativos — e seus administradores por esquemas de fraude trabalhista que prejudicaram 1.556 trabalhadores em Alagoas. A entidade era utilizada para mascarar vínculos empregatícios e intermediar mão de obra subordinada a prefeituras do estado entre os anos de 2019 e 2022.
A sentença atende a uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT/AL) e fixa o pagamento solidário de R$ 500 mil por dano moral coletivo, além de determinar a dissolução e liquidação definitiva da cooperativa.
Esquema de exploração e "rachadinha"
As investigações do MPT/AL revelaram que a Moderniza funcionava como uma "pseudocooperativa". Os trabalhadores, cadastrados formalmente como cooperados, atuavam sem qualquer garantia ou direito trabalhista.
Além disso, recebiam valores expressivamente abaixo do salário-mínimo vigente à época — com repasses registrados na casa dos R$ 600 mensais —, em uma prática associada à "rachadinha".
A entidade manteve contratos de intermediação de serviços com dez municípios alagoanos:
Porto Calvo
Chã Preta
Poço das Trincheiras
Taquarana
Olho D’Água do Casado
Estrela de Alagoas
Limoeiro de Anadia
Porto de Pedras
Tanque D’Arca
Quebrangulo
O que muda com a decisão:
Regularização: Os réus devem assinar a Carteira de Trabalho de todos os 1.556 trabalhadores com as datas reais de admissão e efetuar o recolhimento do FGTS devido.
Proibição: Os administradores estão proibidos de celebrar novos contratos de intermediação de mão de obra com o poder público ou criar novas cooperativas para essa finalidade.
Penalidades: O descumprimento das obrigações acarretará multas de até R$ 10 mil por infração.
Destino dos recursos e histórico investigativo
Tanto o valor fixado a título de dano moral coletivo quanto as eventuais multas aplicadas serão revertidos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Vale destacar que a Moderniza já era alvo das autoridades no estado: a entidade foi investigada anteriormente na Operação Maligno, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) para apurar esquemas de fraude em licitações públicas.