Fóssil revela trinca predatória do Cretáceo na Austrália
Descoberta documenta interação entre pterossauro, ictiossauro e Kronosaurus.
Um turducken pré-histórico acaba de emergir do mar de Eromanga: um pterossauro devorado por um ictiossauro que, logo depois, foi morto por um giganteco Kronosaurus. O fóssil, preservado por mais de 100 milhões de anos, revela pela vez essa cadeia alimentar tripla nas primeiras éguas australianas do Cretáceo.
O turducken é um prato típico do Dia de Ação de Graças nos EUA, que consiste em um frango recheado dentro de um pato, que, por sua vez, é recheado dentro de um peru.
Neste caso, um réptil voador azarado tornou‑se o “frango” de um turducken pré-histórico ao ser devorado por um ictiossauro no antigo mar de Eromanga, no interior da Austrália. Logo depois, esse predador marinho também encontrou seu fim, provavelmente atacado por um monstruoso ainda maior. O episódio, preservado por mais de 100 milhões de anos, oferece um raro retrato da cadeia alimentar em ação na era dos dinossauros.
O fóssil revela uma interação de três níveis: um pterossauro capturado por um ictiossauro, que, por sua vez, foi morto por um pliossauro gigante. Para especialistas como Dean Lomax, consultado por um portal especializado, trata-se de uma das evidências mais claras já descobertas de comportamento predatório complexo nas éguas australianas do Cretáceo.
Naquele período, vastas áreas do interior australiano eram cobertas pelo mar de Eromanga, deixando um registro fóssil abundante de vida marinha, pterossauros e dinossauros que habitavam as margens e deltas da região. Foi nesse cenário que os paleontólogos identificaram ossos do Platypterygius australis, um ictiossauro de seis a sete metros com dentes afiados capazes de capturar peixes, cefalópodes e, como agora se sabe, até pterossauros.
Dentro do esqueleto, uma concreção estomacal fossilizada revelou restos de peixes, conchas e fragmentos de cefalópodes, mas também dois pedaços de mandíbula de pterossauro — a primeira evidência direta de que esses répteis voadores faziam parte da dieta dos ictiossauros. A descoberta confirma o comportamento oportunista desses predadores, que consumiam qualquer pequena criatura disponível no oceano.
O Platypterygius, porém, não sobreviveu por muito tempo após essa refeição. Seu esqueleto exibia vértebras fraturadas, costelas ausentes e marcas profundas de mordidas, causando um ataque violento. Uma vértebra chegou a preservar uma costela comprimida contra uma borda quebrada, sinal de esmagamento mandibular intenso.
Os danos apontam para um único suspeito: o Kronosaurus queenslandicus, pliossauro de mais de 10 metros que dominava o mar de Eromanga. Com mandíbulas longas e dentadas semelhantes a um crocodilo e um corpo robusto impulsionado por quatro nadadeiras, ele era o predador alfa da região. Uma nova evidência confirma pela primeira vez interações diretas entre pterossauros, ictiossauros e pliossauros.
Casos assim são raros, mas quando surgem revelam histórias extraordinárias. Pegadas na Coreia do Sul já registraram um pterossauro gigante perseguindo uma pequena presa em terra; na Argentina, um megaraptor foi encontrado com um pedaço de crocodilo preso à boca; e no Brasil, um pterossauro dentuço foi identificado em vômito fossilizado, após ter sido engolido por um dinossauro espinossaurídeo.