Setor de máquinas agrícolas brasileiro resiste ao tarifaço dos EUA
Pedro Estevão, da Abimaq, destaca o baixo impacto das tarifas sobre o mercado nacional.
O presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão , afirmou nesta que o segmento de máquinas e implementos agrícolas tem passado praticamente incólume em relação ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump . O impacto, de acordo com ele, é muito pequeno para o mercado brasileiro de máquinas agrícolas, tanto do ponto de vista das exportações do setor quanto pelo efeito indireto sobre a renda do agricultor.
A primeira razão, segundo o dirigente, é a baixa exposição do segmento ao mercado americano. As exportações de máquinas agrícolas do Brasil para os EUA representam cerca de 0,8% do faturamento do setor. "Se não exportar mais nada para lá, cai 0,8%. Então, por esse lado, não teve nenhuma consequência", afirmou ele, durante entrevista coletiva em que a Abimaq divulgou os dados do setor de máquinas e equipamentos apurados ao longo do mês de junho.
Um segundo canal de impacto seria via uma piora no preço e na comercialização de produtos agropecuários brasileiros, reduzindo a capacidade de investimento do produtor rural - principal cliente da indústria de máquinas. Ele ressaltou, porém, que itens relevantes para o Brasil, como café , carne e laranja , foram apresentados como exceção e não entraram na lista de tarifas.
“Se você estivesse taxado esses produtos, você teria um problema porque começaria a sobrar produto aqui e o preço poderia até cair, mas ele deixou como exceção”, disse o executivo, acrescentando que a decisão está ligada ao risco inflacionário nos EUA, por se tratar de produtos importantes para o consumo do norte-americano.
Estevão percebeu que outros itens foram atingidos, como frutas , mel e madeira , mas avaliados que se tratam de mercados menores para a indústria de máquinas agrícolas e com pouca influência sobre as vendas do ano. “Esses mercados têm problema, mas são mercados pequenos para máquinas agrícolas, que não têm uma grande influência nas vendas do ano”, afirmou, observando que o efeito esse já estaria diluído no cenário de retração estimado para o setor.
O executivo revelou ainda um terceiro efeito, mais estratégico: o fechamento do mercado americano para futuras exportações brasileiras de máquinas agrícolas. Apesar de o volume atual ser reduzido, ele avaliou que os EUA eram um mercado grande e aberto, que poderia ser explorado futuramente. “Praticamente ficou inviável a gente explorar isso agora”, afirmou.
Ainda assim, Estevão concluiu que, no conjunto, a influência das tarifas anunciadas por Trump sobre as vendas de máquinas agrícolas no Brasil tendem a ser limitadas. “Em resumo, a influência do tarifaço do Trump no mercado na venda de máquinas agrícolas é muito pequena”, reiterou.