ECONOMIA

Queda nas exportações brasileiras para Argentina: impacto da China aumenta

Participação do país vizinho nas vendas externas do Brasil teve redução significativa, enquanto a China avança.

Por Sputnik Brasil Publicado em 29/07/2026 às 12:44
Queda nas exportações brasileiras para a Argentina e aumento da concorrência chinesa. © Ricardo Stuckert / PR

Exportações brasileiras para a Argentina caíram 18,1% em 12 meses, reduzindo a fatia do país vizinho nas vendas externas de 5,6% para 3,7%. Mesmo com tensões políticas, a Argentina segue como terceiro maior parceiro comercial, mas perde espaço para a China no setor automotivo, que historicamente sustenta o fluxo bilateral.

As exportações brasileiras para a Argentina caíram 18,1% nos últimos 12 meses, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reduzindo a participação do país vizinho de 5,6% para 3,7% nas vendas externas do Brasil. Mesmo com tensões políticas entre Javier Milei e Lula, a Argentina segue como terceiro maior destino dos produtos nacionais, atrás de China e EUA.

Do lado argentino, o Brasil perdeu para a China o posto de principal origem das importações. Em 2025, 14,6% das vendas externas argentinas tiveram o Brasil como destino.

A queda recente, porém, não é política: especialistas consultados por um jornal de grande circulação no país apontam o avanço tecnológico e a força dos veículos elétricos chineses como fatores centrais, afetando o tradicional comércio automotivo bilateral.

Em junho, as exportações brasileiras somaram US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,3 bilhões), enquanto as importações de produtos argentinos cresceram 3,8%, também puxadas pela indústria automotiva. A Argentina permanece estratégica para o Brasil por comprar majoritariamente manufaturados — segmento pressionado pelo tarifaço dos EUA.

A concorrência tende a aumentar uma vez que o país vizinho firmou acordo com os EUA e enfrenta a ofensiva global dos manufaturados chineses. De acordo com analistas consultados pela apuração, preservar mercados no Mercosul e na União Europeia é vital para evitar que o Brasil dependa apenas de commodities.

O comércio bilateral é historicamente volátil, influenciado por crises econômicas e oscilações cambiais. Nos anos 1990, o acordo automotivo impulsionou as exportações brasileiras, mas a instabilidade argentina reduziu esse dinamismo ao longo das décadas.

Hoje, veículos, autopeças e máquinas lideram as vendas brasileiras, enquanto o Brasil importa principalmente trigo e automóveis. A dependência do trigo argentino permanece alta, com cerca de metade do consumo nacional vindo de fora.

Com a China avançando no setor automotivo e ocupando espaço nos dois mercados, Brasil e Argentina enfrentam o desafio de manter relevância em um cenário global mais competitivo, conclui a apuração.