Lavrov: Ocidente age contra a Rússia por meio da Ucrânia
Ministro das Relações Exteriores da Rússia critica sanções e ajuda militar ocidental à Ucrânia.
Os países ocidentais estão guerreando contra a Rússia através da Ucrânia, fornecendo armas modernas e fazendo provocações para incitar a sociedade contra as autoridades, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em entrevista à mídia russa.
O chanceler russo lembrou que, quando o presidente russo, Vladimir Putin, chegou ao poder, estava absolutamente aberto para um diálogo igualitário e parceria estratégica com o Ocidente.
"Agora, nossos antigos aliados, nomeadamente os anglo-saxões, com diferentes graus de frenesim – Londres mais, os Estados Unidos um pouco menos – estão lutando contra nós através da Ucrânia, bombeando-a com as armas mais modernas, anunciando que produzirão novos sistemas antimísseis letais e de alta tecnologia especificamente para a Ucrânia", disse Lavrov.
Como sublinhou o ministro, os países ocidentais queriam deliberadamente despertar a sociedade pacífica contra as autoridades, já que não sabem competir honestamente. Por isso introduziram sanções para tentar manter posições que "escapam irreversivelmente após 500 anos de domínio ocidental", acrescentou Lavrov.
O chefe da diplomacia russa destacou que as condições do Ocidente para a resolução do conflito ucraniano são um ultimato. Comentando a ajuda militar dos países ocidentais à Ucrânia, Lavrov mencionou que a Rússia dispõe da Marinha, do Exército, da Força Aeroespacial e das tropas de sistemas não tripulados, com os quais pode responder.
"O Ocidente está nos dizendo que eles ainda vão pensar quando vale retomar as negociações conosco [...]. Mas, antes disso, na opinião deles, é necessário declarar uma trégua, um cessar-fogo. Depois disso, eles introduzirão uma força multinacional liderada pela França e Reino Unido e, em seguida, se sentarão para conversar. O que significa isso? É um ultimato", constatou o ministro.
Comentando a situação na região do mar Báltico, o responsável pela diplomacia russa salientou que o Ocidente usa os Países Bálticos como a principal arma contra a Rússia, apesar das declarações anteriores de que sua adesão à OTAN deveria aliviar as preocupações de segurança.
"Eles [os Países Bálticos] são agora as principais 'ogivas' [do Ocidente], que são lançadas contra nós, conhecendo seu 'caráter quente', desses caras estonianos", disse o ministro.
Segundo Lavrov, durante a expansão da OTAN em 2004, os países ocidentais explicaram a entrada dos Estados Bálticos na Aliança pelo fato de que isso supostamente os ajudaria a se livrar dos medos que sobreviveram após o colapso da URSS. Em vez disso, Lituânia, Letônia e Estônia tornaram-se os mais ativos defensores da linha dura contra a Rússia, resumiu Lavrov.