CONSUMO

Pix já lidera nas compras do dia a dia, mas cartão parcelado segue como maior fonte de dívida no Brasil

Meio de pagamento instantâneo domina o consumo diário, enquanto o cartão parcelado segue puxando o endividamento das famílias

Por Assessoria Publicado em 28/07/2026 às 15:52
Pix já lidera nas compras do dia a dia, mas cartão parcelado segue como maior fonte de dívida no Brasil

O Pix se consolidou como o meio de pagamento preferido dos brasileiros no cotidiano. Um levantamento da Nuvemshop, plataforma de e-commerce que reúne dados de mais de 100 mil lojas virtuais em atividade no país, mostra que a ferramenta do Banco Central já responde por 50,2% dos pedidos em compras online, superando o cartão de crédito e o boleto bancário. A preferência se explica pela rapidez da confirmação do pagamento e pelos descontos oferecidos por lojistas, que variam de 5% a 15% para quem paga à vista.

Apesar de liderar em volume de pedidos, o Pix responde por uma porcentagem menor do total movimentado no comércio digital, com cerca de 41%. Isso acontece porque o meio de pagamento é usado principalmente em compras de menor valor, enquanto o cartão de crédito segue concentrado nas aquisições de maior porte, como eletrodomésticos, móveis, eletrônicos e pacotes de viagem, viabilizadas pelo parcelamento sem juros.

Mesmo perdendo espaço na rotina de consumo, o cartão continua sendo a porta de entrada para os maiores compromissos financeiros das famílias. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que 81,6% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer em junho, e o cartão de crédito segue como a modalidade mais citada entre elas.

"O Pix resolveu o problema da praticidade no dia a dia, mas não eliminou o papel do cartão nas decisões financeiras mais importantes. Uma pessoa que parcela uma compra de maior valor está afetando o orçamento dos próximos meses, e isso exige um planejamento diferente de uma compra à vista", afirma Rodrigo Mandaliti, presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC).

Segundo Mandaliti, o principal cuidado ao parcelar uma compra é considerar o impacto acumulado das prestações, e não apenas o valor da parcela sozinha. "Uma compra parcelada em dez vezes pode parecer inofensiva no momento da decisão, mas se soma a outras parcelas em andamento. O ideal é sempre verificar quanto da renda mensal já está comprometida com parcelamentos antes de assumir um novo compromisso. Quando esse limite é ultrapassado, qualquer imprevisto pode levar ao atraso e, na sequência, ao rotativo", explica.

O especialista também recomenda atenção redobrada em datas de maior movimento no varejo, quando promoções incentivam decisões de compra por impulso.

"É nesses períodos que o consumidor mais se arrisca a parcelar além da própria capacidade de pagamento, atraído pela sensação de que a parcela é pequena. Antes de fechar a compra, vale simular como aquela quantia vai impactar o orçamento nos meses seguintes, considerando também os outros parcelamentos", destaca.

Com o cartão de crédito estabelecido como a principal via de acesso a compras mais significativas, mesmo em um cenário de avanço do Pix, a orientação ainda é de cautela.

"Antes de parcelar, é preciso ter clareza sobre o que já está no orçamento. Só assim é possível evitar que uma compra planejada vire uma dívida fora de controle", conclui Mandaliti.

Sobre o IGEOC

Com 18 anos de atuação, o Instituto GEOC e suas 34 associadas se diferenciam no mercado pelas soluções inovadoras, atendimento humano qualificado e pelo incessante investimento em tecnologias, na busca ininterrupta pelas melhores práticas, representando e lutando pelo segmento em diversas instâncias. As associadas do IGEOC atuam em diversos segmentos, como cartões de crédito, consórcio, educação, produtos bancários para pessoa física e jurídica, veículos, utilities, grandes redes de varejo, cobrança mercantil, com abrangência em todo território nacional.