INCLUSÃO

Escola é peça-chave na adaptação de crianças em acolhimento e adoção e ajuda a fortalecer vínculos de pertencimento

Especialista do Grupo Aconchego destaca que a inclusão de diferentes configurações familiares, o combate ao preconceito e o diálogo com as famílias são fundamentais para o desenvolvimento de crianças e adolescentes

Por Assessoria Publicado em 28/07/2026 às 14:31
Escola é peça-chave na adaptação de crianças em acolhimento e adoção e ajuda a fortalecer vínculos de pertencimento Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Brasília, 28 de julho de 2026 - Quando uma criança é acolhida por uma nova família, seja por meio da adoção ou do acolhimento familiar, a adaptação não acontece apenas dentro de casa. A escola também passa a ocupar um papel essencial nesse processo, sendo um dos primeiros espaços de convivência, socialização e construção do sentimento de pertencimento. Mais do que acompanhar o desempenho acadêmico, educadores podem contribuir para que crianças e adolescentes se sintam seguros, respeitados e acolhidos em uma nova etapa de suas vidas.


Embora o tema seja cada vez mais discutido, especialistas apontam que muitas instituições de ensino ainda enfrentam dificuldades para lidar com as especificidades das famílias formadas pela adoção ou com crianças que passaram por experiências de acolhimento. Comentários inadequados, atividades que reforçam apenas modelos tradicionais de família e a falta de preparo para enfrentar situações de preconceito ainda fazem parte da realidade de muitas escolas.


Para Juliana Miranda, coordenadora do serviço Família Acolhedora, do Grupo Aconchego, a comunidade escolar precisa compreender que a adaptação da criança é um processo coletivo. "A escola é um espaço de desenvolvimento, mas também de construção de vínculos. Quando professores e equipes pedagógicas conhecem a realidade daquela criança e acolhem sua história com respeito, contribuem significativamente para que ela se sinta pertencente ao ambiente escolar e fortaleça sua autoestima", explica.


Um dos principais desafios está na forma como diferentes configurações familiares são apresentadas em sala de aula. Ainda é comum que atividades comemorativas ou conteúdos didáticos considerem apenas o modelo tradicional de família, deixando de contemplar crianças que vivem com pais adotivos, famílias acolhedoras, avós ou outros responsáveis legais.


Além disso, crianças que passaram por situações de violência, negligência ou longos períodos de acolhimento podem apresentar dificuldades de aprendizagem, alterações de comportamento ou maior necessidade de adaptação à rotina escolar. Especialistas alertam que esses comportamentos não devem ser interpretados como falta de interesse ou indisciplina, mas compreendidos à luz das experiências vividas por cada criança.


Outro ponto de atenção é o enfrentamento ao bullying e ao preconceito. Perguntas invasivas sobre a origem da criança, comentários sobre a ausência dos pais biológicos ou estigmas relacionados à adoção podem provocar sofrimento emocional e comprometer o processo de adaptação. Por isso, a escola deve atuar de forma preventiva, promovendo uma cultura de respeito à diversidade familiar e intervindo sempre que identificar situações discriminatórias.


Nesse cenário, a comunicação entre escola e família torna-se uma ferramenta indispensável. O diálogo constante permite que professores compreendam melhor as necessidades da criança, compartilhem estratégias de acompanhamento e construam, em conjunto com os responsáveis, soluções para os desafios que surgem durante a adaptação. "A parceria entre família e escola é fundamental. Quando existe diálogo, confiança e troca de informações, é possível compreender melhor o tempo da criança, respeitar seus limites e criar estratégias para favorecer seu desenvolvimento, tanto no aspecto emocional quanto no aprendizado", destaca Juliana Miranda.


A especialista também defende a adoção de práticas pedagógicas mais inclusivas, que valorizem a diversidade das configurações familiares presentes na sociedade. A revisão de materiais didáticos, a adaptação de atividades em datas comemorativas, a formação continuada de professores e a promoção de projetos voltados à educação para o respeito e à convivência são algumas das iniciativas que ajudam a construir um ambiente escolar mais acolhedor.


Para o Grupo Aconchego, discutir o papel da escola é ampliar a compreensão de que a proteção de crianças e adolescentes é uma responsabilidade compartilhada. Família, escola e rede de proteção atuam de forma complementar para garantir que meninos e meninas encontrem não apenas um lugar para aprender, mas também um espaço onde possam desenvolver vínculos, construir sua identidade e exercer plenamente o direito à convivência familiar e comunitária.


Sobre o Grupo Aconchego O Aconchego é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em dezembro de 1997, que trabalha em prol da convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes em acolhimento familiar e institucional. 


Filiado à Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção – ANGAAD o Aconchego é reconhecido como referência em Brasília e conta com grande projeção nacional na criação de tecnologias sociais com vistas à garantia do direito das crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária, por meio de ações de intervenção com potencial para a transformação social e cultural.