Fed alerta sobre riscos inflacionários com investimentos em IA
Reservas Federais analisam impactos de gastos bilionários da indústria de tecnologia na economia.
Investimentos bilionários em IA, de chips a data centers, já preocupam o Fed, que vê risco de pressão inflacionária enquanto big techs divulgam nesta semana projeções de gastos que podem moldar tanto o mercado quanto futuras decisões sobre juros.
A disparada dos investimentos em inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma preocupação das big techs e de seus acionistas. O volume bilionário destinado a softwares, data centers, chips e minerais críticos já aparece no radar da Reserva Federal dos EUA (Fed) como possível fonte de pressão inflacionária nos Estados Unidos e, por extensão, em outras economias.
Segundo apuração de um portal de notícias no Brasil, o tema ganha força nesta semana, quando o Fed anuncia sua decisão de política monetária e gigantes como Meta (empresa proibida na Rússia por atividade extremista), Microsoft, Amazon, Apple, SK Hynix e Qualcomm divulgam resultados. Além de receita e lucro, o mercado acompanhará atentamente as projeções de gastos com IA, que vêm crescendo de forma acelerada.
Para investidores consultados pela mídia, o risco é que parte desses aportes não gere o retorno prometido. Para bancos centrais, o desafio é estimar quanto custará erguer a infraestrutura necessária para que os ganhos de produtividade da IA finalmente apareçam.
A ata mais recente do Fed já aponta que esse ciclo de investimentos pode elevar a inflação no curto prazo, uma vez que a expansão da IA aumenta a demanda por equipamentos, eletricidade, softwares e serviços, pressionando preços e custos energéticos.
Um relatório da divisão de pesquisa especializada em energia, tecnologia, clima e transição industrial de um famoso portal norte-americano, projeta que data centers podem quadruplicar o consumo de energia até 2035, chegando a responder por um quinto da eletricidade gerada nos EUA.
A equipe técnica do Fed citou a IA como um dos fatores que levaram à revisão para cima das projeções de inflação deste ano e do próximo. Além dos custos diretos, o banco central norte-americano avalia que o investimento empresarial pode manter a economia crescendo acima do potencial, tornando a inflação mais persistente.
Estimativas do Morgan Stanley, um dos maiores bancos de investimento do mundo, mostram a dimensão do movimento. Segundo suas estimativas, os gastos com data centers previstos para 2026 saltaram de US$ 575 bilhões (mais de R$ 2,9 trilhões) para cerca de US$ 850 bilhões (mais de R$ 4,3 trilhões), e o volume total de investimentos ligados à IA pode alcançar US$ 10 trilhões (aproximadamente R$ 51 trilhões) nos próximos anos.
O debate já entrou na política monetária. A ata do Fed indica que, se a demanda associada à IA sustentar a inflação, novos aumentos de juros podem ser necessários para reconduzir o índice à meta de 2%.
No Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também acompanha o tema e avalia que a IA pode ser inflacionária na fase de construção, mas eventualmente desinflacionária quando a produtividade avançar.
Há, porém, a hipótese de que a tecnologia continue pressionando preços mesmo após amadurecer, devido ao alto custo de operação, energia, chips e mão de obra especializada. Parte desses custos pode ser repassada ao consumidor, inclusive via inclusão de novos serviços digitais nos índices de inflação, como ocorreu com streaming e aplicativos de transporte. Ferramentas de IA e serviços de nuvem podem ser os próximos itens a ganhar peso nas cestas de preços.
Por Sputinik Brasil