Filipe Lima Leonório analisa expansão do mercado de tatuagem
A geração millennial impulsiona a tatuagem e responde por 46% da adesão no mundo, enquanto as tatuagens cosméticas avançam 37% e ampliam o público da arte na pele. Para Filipe Lima Leonório, “a tatuagem brasileira conquistou reconhecimento artístico de peso”. Leonório analisa o novo perfil do público e o amadurecimento do setor, enquanto a Lipe Tatto acumula títulos em convenções e amplia sua projeção no Ceará.
O mercado de tatuagem vive uma fase de expansão consistente em todo o mundo, impulsionado pelas novas gerações e pela crescente aceitação social da arte na pele. A adesão de públicos jovens e a valorização de estilos autorais transformaram a atividade em um segmento cada vez mais técnico e profissional. No Brasil, esse movimento se traduz em mais estúdios, maior demanda e um reconhecimento inédito do talento nacional. As convenções especializadas tornaram-se vitrines importantes, revelando artistas que elevam o padrão da tatuagem brasileira. Diante desse cenário, o tatuador Filipe Lima Leonório, à frente da marca Lipe Tatto, avalia de forma positiva o amadurecimento e a projeção do setor.
Segundo dados da Business Research Insights, a tatuagem consolidou-se como uma linguagem das novas gerações, com uma taxa de adesão de 46% entre os millennials e de 32% entre a Geração Z. O mesmo levantamento aponta que a América do Norte concentra 42% do mercado global, seguida pela Europa, com 30%, e pela Ásia-Pacífico, com 23%. O estudo ainda registra um avanço de 37% no interesse por tatuagens cosméticas, sinal de que a arte corporal se diversifica e passa a atender novos propósitos. Esses números confirmam uma mudança cultural que retirou a tatuagem das margens e a colocou no centro das discussões sobre identidade e estética. A tendência, que segue em curva ascendente, redesenha o perfil de quem procura os estúdios e amplia o espaço para artistas especializados.
Esse novo momento do setor encontra eco na trajetória de profissionais que apostaram na especialização e na autoralidade. Sobre o cenário atual, o tatuador Filipe Lima Leonório, da Lipe Tatto, fez a seguinte avaliação: "A tatuagem deixou de ser vista como algo marginal e passou a ser reconhecida como uma expressão artística legítima. Hoje o público chega mais informado, buscando um estilo próprio e um trabalho que conte a sua história. Isso exige do artista estudo constante, técnica apurada e respeito por cada projeto que chega até a cadeira."
O mercado brasileiro ainda tem muito espaço para crescer
De acordo com a Associação dos Tatuadores e Perfuradores do Brasil, entre 2019 e 2020 o segmento cresceu cerca de 40% em faturamento entre os estúdios associados, um avanço expressivo mesmo diante de um período de forte instabilidade. Esse desempenho ajudou a consolidar a tatuagem como um dos setores criativos mais resilientes do país. A profissionalização acelerou a formalização dos estúdios e a adoção de padrões técnicos e sanitários mais rigorosos. Ao mesmo tempo, a valorização da arte autoral aproximou o público de artistas com identidade e linguagem próprias. O resultado é um ecossistema mais maduro, no qual a qualidade artística se tornou o principal diferencial competitivo. Esse ambiente favorece os profissionais que investem em técnica, estudo e reconhecimento em convenções.
Leonório enxerga nesse crescimento uma oportunidade para os artistas que priorizam a excelência técnica. Para ele, o avanço do setor recompensa quem trata a tatuagem como carreira, e não apenas como ofício. "Quando o mercado amadurece, o cliente passa a valorizar o artista pelo conjunto do seu trabalho, e não somente pelo preço", observa. É nesse ponto que ele conecta sua leitura do setor à própria trajetória: à frente da Lipe Tatto, o tatuador acumula 12 anos de experiência e títulos em convenções como a Santa Quitéria Tattoo Expo, na qual conquistou o primeiro lugar em três categorias distintas. Esse repertório, segundo ele, é fruto de um investimento contínuo em aperfeiçoamento e em diferentes estilos, do black & grey ao neo tradicional.
A ascensão da arte na pele movimenta toda uma cadeia criativa
O crescimento da tatuagem não se limita ao trabalho realizado dentro dos estúdios. Ele movimenta uma ampla cadeia produtiva que envolve fabricantes de máquinas, tintas, agulhas e produtos de cuidado pós-procedimento. As convenções especializadas, por sua vez, tornaram-se polos de encontro entre artistas, marcas e admiradores, aquecendo a economia criativa em diferentes regiões. A profissionalização também estimulou a criação de cursos, mentorias e conteúdos técnicos que elevam o nível dos novos tatuadores. Nas redes sociais, o alcance dessas produções ampliou a visibilidade da arte corporal e aproximou o público de estilos antes restritos a nichos. Esse conjunto de fatores consolidou a tatuagem como uma manifestação cultural e econômica de peso, capaz de gerar renda, empregos e intercâmbio artístico. Mais do que uma tendência estética, ela reflete uma transformação profunda na forma como as pessoas enxergam o corpo e a identidade.
"Pretendo levar a tatuagem que faço para o mundo e não parar de evoluir"
Radicado em Fortaleza, no Ceará, Filipe Lima Leonório construiu ao longo de mais de uma década uma trajetória marcada por prêmios e por uma base de público crescente, que hoje acompanha seu trabalho por meio de dezenas de milhares de seguidores nas redes sociais. À frente da Lipe Tatto, ele transita entre estilos como black & grey, neo tradicional e art fusion, categorias nas quais já foi premiado. Sobre seus planos e sobre o rumo da própria marca, o artista fez questão de se pronunciar.
"A Lipe Tatto nasceu do desejo de transformar cada projeto em uma obra única, feita com técnica e verdade", afirma Filipe Lima Leonório. Segundo o tatuador, os títulos conquistados na Santa Quitéria Tattoo Expo, na Guará Tattoo Expo e na Canindé Expo Tattoo funcionam como um estímulo para elevar ainda mais o padrão do seu trabalho. Ele conta que pretende ampliar sua presença em convenções nacionais e internacionais, investir na formação de novos talentos e fortalecer a identidade autoral que se tornou sua marca registrada. "Cada prêmio é resultado de muito estudo e dedicação, mas o que realmente me move é a confiança de quem escolhe carregar a minha arte na pele para sempre", conclui. Com uma audiência que já ultrapassa 26 mil seguidores e centenas de milhares de visualizações mensais, o artista projeta os próximos passos de uma carreira em plena ascensão.