FEMINISMO

Cármen Lúcia destaca a luta pelos direitos das mulheres em evento no RJ

Ministra do STF discursa em reunião que discute feminicídio e inclusão na ciência.

Por Sputnik Brasil Publicado em 27/07/2026 às 18:33
Cármen Lúcia fala sobre a conquista dos direitos das mulheres em evento contra o feminicídio no RJ. © Sputnik / Melissa Rocha

Evento seguido de ato contra o feminicídio reuniu políticos e acadêmicos em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, para discutir inclusão e combate à violência contra as mulheres.

Não se reivindica um direito que não se conhece, por isso no Brasil os direitos, especialmente aqueles que são fundamentais, sempre foram restritivos a determinados locais. É o que afirmou nesta segunda-feira (27) a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), em discurso na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada no Rio de Janeiro.

"Direito se conquista, direito não cai do céu. [...] Como na história, não apenas no Brasil, mas de todos os povos, as bibliotecas, até século XVII, XVIII, eram proibidas para as mulheres. Porque se você não tem informação, você não tem ciência dos seus direitos", acrescentou.

A reunião ocorreu na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, região metropolitana do estado. Além de Cármen Lúcia, participaram da reunião a ministra da Mulher, Márcia Lopes, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, pré-candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro filiada ao PT, entre outras autoridades.

O evento da SBPC teve como tema a inclusão na ciência e, entre outros pontos, discutiu a violência contra as mulheres. O discurso de Cármen Lúcia antecedeu um ato contra o feminicídio realizado na rua, em frente à universidade. Por questões de segurança, a ministra do STF não participou dessa parte do evento.

Em discurso no ato, Márcia Lopes disse que "as mulheres devem ser livres e protagonistas da própria história".

"Queremos as mulheres vivas, por todas aquelas que partiram, pelas Tainaras, Catarinas, Kelly, Francisca, Maria, por todo o Brasil, que esse país, através da SBPC, ouça esse nosso grande apelo", disse a ministra.

A presidente da SBPC, a cientista política Francilene Procópio Garcia, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), destacou que a cidade de Niterói está há 18 meses sem registrar feminicídio e exaltou a gestão do prefeito Rodrigo Neves (PDT). Garcia afirmou que o exemplo de Niterói "é o resultado de que essa luta se vence".

"Esse é um ato [...] que representa, simbolicamente, um momento de lembrarmos da história das pessoas excluídas, que desapareceram, que não estão mais entre nós e que são extremamente representativas para que a ciência e as evidências científicas possam nos pautar com boas políticas públicas", afirmou.

O Brasil fechou 2025 batendo recorde de feminicídios pelo quarto ano seguido. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, o país registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, uma alta de 4% em relação ao ano anterior. Os números fizeram da segurança da mulher um ponto decisivo na corrida eleitoral deste ano.