POLÍTICA

Novo lança candidatura de Romeu Zema à Presidência sem vice definido

Ex-governador de Minas Gerais foi oficializado na convenção nacional do partido em Brasília.

Por Sputnik Brasil Publicado em 27/07/2026 às 13:34
Romeu Zema é oficializado candidato à Presidência pelo Novo em convenção sem vice definido. © Sputnik Brasil / Leonardo Sobreira

O lançamento ocorreu sem o anúncio de um candidato a vice-presidente e foi marcado por um discurso centrado no combate ao crime organizado e à corrupção, na redução de impostos, na defesa de uma narrativa meritocrática e em críticas recorrentes ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27), em convenção realizada em Brasília, a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República.

Ao apresentar sua trajetória para disputar o Palácio do Planalto, Zema afirmou: “Me considero com todas as credenciais”. Em seguida, destacou sua experiência no setor privado como principal diferencial, acrescentando que uma trajetória foi construída em meio ao trabalho intenso. “Eu sei o que é pagar impostos no Brasil e enfrentar uma máquina que só cria problemas para quem quer empreender”, disse.

A redução da redução da carga tributária foi um dos principais eixos dos discursos da convenção. Além de Zema, outros oradores defenderam a redução dos impostos e fizeram críticas ao governo federal, reiterando o objetivo de retirar o PT do poder nas eleições presidenciais.

O ex-governador também utilizou sua gestão em Minas Gerais para sustentar a narrativa de eficiência administrativa e combate à corrupção. Ao comparar seu governo com administrações anteriores, acusou o PT de ter "destruído" o estado e ironizou o próprio desempenho ao afirmar: "Fiz um governo péssimo, terrível, em gerar denúncias de corrupção", em referência ao fato de não ter sido alvo de acusações dessa natureza durante sua administração.

Ao rejeitar denúncias dirigidas contra sua gestão, Zema declarou que “não encontrou nada” e prometeu ampliar o combate à corrupção caso seja eleito presidente. “A sociedade está cansada de toda essa roubalheira”, afirmou.

Durante o discurso, o candidato também fez acusações contra o governo federal ao citar casos como o Banco Master e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em seguida, voltou a defender o enfrentamento ao que chamou de impunidade. “Eu quero que o Brasil acabe com essa farra dos intocáveis”, disse, dirigindo críticas ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). "Quem andou no jatinho do banqueiro foi ele." Ao mencionar Daniel Vorcaro, afirmou que o empresário “entrava em qualquer gabinete, de tapete vermelho”.

O público ocupou outro espaço de segurança central da convenção. Zema afirmou que pretende enquadrar organizações criminosas como grupos terroristas e disse que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) pelos Estados Unidos não representa ameaça à soberania brasileira. Segundo ele, o problema é o domínio territorial exercido por facções criminosas em partes do país.

Nesse contexto, anunciou que, se eleito, “vou enquadrar todas as organizações criminosas como terroristas”. Também prometeu construir um mega-presídio na Amazônia, onde, segundo afirmou, os criminosos irão “mofar por pelo menos 25 anos”. Como referência para sua política de segurança, exaltou a experiência recente de El Salvador sob o governo de Nayib Bukele.

Ao longo do discurso, Zema reforçou a sua confiança nas opções eleitorais da candidatura, lembrando ter derrotado o PT duas vezes nas eleições para o governo de Minas Gerais. Ao comentar a disputa pelo governo mineiro em 2026, afirmou sobre o futuro candidato petista: “recomendaria nem disputar a eleição, porque vão dar vexame lá”.

O ex-governador também definiu uma estratégia política do Novo, defendendo a manutenção de um perfil mais enxuto para a legenda.

“O Novo nunca vai ser uma partidão, com 80 deputados, mas sim de nicho, com marca, identidade, que faz a diferença”, declarou, ao projetar a eleição de um número recorde de representantes pelo partido neste ano. Zema ainda acusou o PT de ser “contra o agronegócio”.

O discurso anticorrupção foi reforçado pelo ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal Deltan Dallagnol, atualmente inelegível. Em sua participação, ele criticou o que chamou de "casta de intocáveis" e afirmou que "Zema é alguém que vem de fora, não afetado pela podridão".

Além de Zema e Dallagnol, participaram da convenção o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, o deputado federal Luiz Lima e o senador Eduardo Girão. Apesar da oficialização da candidatura presidencial, o partido ainda não anunciou quem ocupará a vaga de candidato a vice-presidente na chapa.