ECONOMIA

Confiança do consumidor apresenta queda em julho, diz FGV

Índice de Confiança do Consumidor cai para 88,3 pontos, o menor nível desde março de 2026.

Por Estadao Conteudo Publicado em 27/07/2026 às 08:47
consumidor ILUSTRAÇÃO IA

A confiança do consumidor caiu 0,4 ponto em julho, para 88,3 pontos, em comparação a junho, na série com ajuste sazonal, informou nesta segunda-feira, 27, a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) ficou em 88,3 pontos. Em médias móveis trimestrais, o índice cedeu 0,3 ponto, atingindo 88,6 pontos.

Esse resultado representa o menor nível desde março de 2026 (88,1 pontos) e foi influenciado pela piora da percepção sobre o momento presente, principalmente em relação ao orçamento financeiro das famílias.

Segundo Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE, "até o mês passado, a piora gradual da confiança era impulsionada pela deterioração das expectativas futuras, enquanto a percepção sobre o presente seguia em melhora". No entanto, em julho, o Índice de Situação Atual (ISA) recuou 2,6 pontos, para 84,4 pontos. Em contrapartida, o Índice de Expectativas (IE) subiu 1,1 ponto, chegando a 91,5 pontos, após dois meses em queda.

"Embora ainda possa refletir uma calibragem dos resultados anteriores, a virada de chave observada neste mês pode sinalizar que o pessimismo em relação ao futuro começa a influenciar a avaliação atual dos consumidores, especialmente em relação à sua situação financeira", complementa.

O alto endividamento e a inadimplência das famílias, juntamente com um contexto de juros fortemente restritivos, continuam sendo os principais pontos de pressão sobre o orçamento do consumidor, afetando sua percepção sobre a economia, mostra a pesquisa da FGV.

O componente que mede as perspectivas sobre as finanças familiares nos próximos meses foi o que mais impactou o recuo da confiança em julho, com uma queda de 0,2 ponto, para 87,5 pontos. O item que mede o grau de otimismo com a situação econômica geral recuou 1,4 ponto, para 103,9 pontos. Por outro lado, a intenção de compras de bens duráveis avançou 4,7 pontos, alcançando 84,7 pontos.

Na avaliação sobre o momento atual, o item que mede as finanças familiares teve um recuo de 3,5 pontos, atingindo 75,5 pontos, enquanto a satisfação sobre a situação econômica local do consumidor caiu 1,7 ponto, para 93,7 pontos.

A análise por faixa de renda indica uma queda na confiança em julho nas duas faixas de renda mais baixas: no grupo de famílias com renda mensal até R$ 2.100,00, houve um recuo de 10,5 pontos. Entre os consumidores com renda familiar entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00 mensais, o recuo foi de 0,3 ponto; enquanto no grupo que recebe de R$ 4.800,01 a R$ 9.600,00, a confiança subiu 5,9 pontos; e no grupo com renda familiar acima de R$ 9.600,01, houve uma alta de 0,4 ponto, segundo a FGV.

A Sondagem do Consumidor coletou entrevistas entre os dias 1º e 22 do mês.