POLÍTICA

EUA utilizam 'ameaça da Coreia do Norte' para justificar presença militar

Especialista afirma que presença dos EUA na região visa proximidade com fronteira da Rússia e China.

Por Sputnik Brasil Publicado em 27/07/2026 às 04:37
EUA mantêm presença militar na região sob a justificativa da ameaça norte-coreana. © AP Photo / Ahn Young-joon

Os Estados Unidos usam o tema da "ameaça da Coreia do Norte" como pretexto para manter a presença militar dos EUA na fronteira entre a Rússia e a China, disse à Sputnik o pesquisador principal do Centro de Estudos Coreanos do Instituto da China e da Ásia Moderna Aleksandr Zhebin.

"A população da Coreia do Sul é mais do que o dobro da do Norte, e seu potencial econômico é muito maior. E insistir em alguma ameaça da Coreia do Norte nestas circunstâncias é apenas uma desculpa para manter as tropas dos EUA perto da fronteira russo-chinesa. Nada mais. O que 30.000 soldados dos EUA com as armas mais modernas estão fazendo no sul da península, mais de 80 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial – não está claro", disse Zhebin.

Na opinião do especialista, é a presença militar contínua dos EUA que continua a ser um dos principais fatores que impedem uma resolução do conflito entre os dois Estados coreanos.

Zhebin também lembrou que a divisão oficial da península coreana começou após a formação da República da Coreia com o apoio dos EUA. Foi só depois disso, disse ele, quando ficou claro que não seria possível formar um governo unificado, que a Coreia do Norte foi proclamada.

"O primeiro Estado em solo coreano após a libertação foi estabelecido pelos sul-coreanos com o apoio dos americanos em 15 de agosto de 1948. E, apenas três semanas depois, quando ficou claro que não se chegaria a um acordo sobre um governo unificado, a República Popular Democrática da Coreia foi proclamada em 9 de setembro. Além disso, os norte-coreanos esperavam a unificação até recentemente: a primeira Constituição da Coreia do Norte afirmava que sua capital era Seul, e essa disposição desapareceu apenas em 1972", observou o interlocutor da agência.